Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Matão e Araraquara lideram desempenho da balança comercial na Região Central

Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos, exportações cresceram em 2025; importações também avançaram e impactaram o saldo de alguns.

Matão e Araraquara lideram desempenho da balança comercial na Região Central

Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos, exportações cresceram em 2025; importações também avançaram e impactaram o saldo de alguns municípios

ANTÔNIO CRISPIM – ARARAQUARA

Dados divulgados na terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que, apesar do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a dezenas de produtos brasileiros, os municípios da Região Central do Estado de São Paulo registraram crescimento nas exportações em 2025. O avanço das importações, no entanto, reduziu o saldo da balança comercial em algumas cidades.

No recorte regional, Matão apresentou o melhor desempenho geral, liderando as exportações e registrando o maior saldo positivo. Gavião Peixoto ficou em segundo lugar nas exportações, mas teve balança deficitária devido ao forte volume de importações. Araraquara ocupou a terceira posição em exportações e a segunda em saldo comercial positivo, enquanto São Carlos apareceu em quarto lugar nas vendas externas, com resultado negativo no saldo.

Região Central e perfil exportador

A Região Administrativa Central é composta por 26 municípios, ocupa uma área de 11.093,30 km² — o equivalente a 4,46% do território paulista — e possui localização estratégica, com integração por rodovias, ferrovias e vias secundárias. Essa logística favorece a inserção econômica regional no mercado estadual, nacional e internacional.

Entre os principais produtos exportados estão sucos de frutas, aviões e motores de pistão, que respondem por grande parte do valor embarcado ao exterior.

Matão lidera exportações e saldo positivo

Com pouco mais de 81 mil habitantes, Matão liderou as exportações regionais em 2025, com US$ 1,5 bilhão, crescimento de 2,6% em relação a 2024. As importações somaram US$ 42,9 milhões, queda de 22,2%, resultando em saldo positivo de US$ 1,4 bilhão.

O município ocupa a 9ª colocação no Estado de São Paulo e a 45ª no Brasil em exportações. Os Estados Unidos são o principal destino, responsáveis por 44,8% das vendas externas, com US$ 654 milhões, aumento de 25,5% em relação ao ano anterior. Os principais produtos exportados são sumos de frutas e óleos essenciais.

Gavião Peixoto cresce, mas fecha no vermelho

Com população inferior a 5 mil habitantes, Gavião Peixoto exportou US$ 1,2 bilhão em 2025, com alta de 32,1%, mas importou US$ 1,3 bilhão, aumento de 35,2%, resultando em saldo negativo de US$ 93,9 milhões.

O município é o 14º maior exportador do Estado e o 57º do Brasil, além de figurar entre os maiores importadores. A exportação de aviões e helicópteros representa 92,9% das vendas externas. Os Estados Unidos concentram 62% do comércio internacional do município. As importações são quase integralmente de equipamentos aeronáuticos.

Araraquara mantém saldo robusto

Com mais de 250 mil habitantes, Araraquara exportou US$ 916,2 milhões e importou US$ 93,7 milhões em 2025, alcançando saldo positivo de US$ 822 milhões.

O município ocupa a 19ª posição no ranking estadual e a 79ª no Brasil entre os exportadores. O suco de frutas lidera a pauta exportadora. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial, com 36,8% do total negociado. As vendas ao mercado norte-americano somaram US$ 337,4 milhões, crescimento de 34%, mesmo diante das barreiras tarifárias.

São Carlos registra déficit

Mais populoso da região, com cerca de 270 mil habitantes, São Carlos exportou US$ 603,2 milhões e importou US$ 664 milhões, fechando 2025 com saldo negativo de US$ 60,8 milhões.

O município ocupa a 29ª colocação no Estado e a 123ª no Brasil entre os exportadores. No ranking de importações, aparece em 31º no Estado e 89º no país. O principal produto exportado é o motor de pistão, e os Estados Unidos lideram como parceiro comercial, com 30,3% das negociações, equivalentes a US$ 182,8 milhões, alta de 64,2%.

Balança comercial brasileira em 2025

No cenário nacional, pressionada pelo crescimento das importações e pela queda no preço das commodities, a balança comercial brasileira encerrou 2025 com superávit de US$ 68,293 bilhões, retração de 7,9% em relação a 2024. Ainda assim, foi o terceiro maior resultado da série histórica, iniciada em 1989.

As exportações somaram US$ 348,676 bilhões, alta de 3,5%, enquanto as importações chegaram a US$ 280,382 bilhões, crescimento de 6,7%, ambos recordes históricos.

Resiliência do comércio exterior

Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, destacou a resiliência do setor.
“O nosso volume em termos de exportação cresceu 5,7%. O comércio global cresceu 2,4%. Crescemos mais que o dobro do comércio mundial, o que demonstra a competitividade dos produtos brasileiros”, afirmou.

Somente em dezembro, o superávit foi de US$ 9,633 bilhões, o maior já registrado para o mês, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária, da indústria extrativa e da indústria de transformação.

(Texto com dados nacionais: Agência Brasil)

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