Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Médica gaúcha que atravessou o oceano vira referência para brasileiros que querem atuar na Itália

Após recomeçar a carreira na Europa, Gabriela Rotili transformou a própria experiência com a burocracia italiana em orientação para médicos.

Médica gaúcha que atravessou o oceano vira referência para brasileiros que querem atuar na Itália

Após recomeçar a carreira na Europa, Gabriela Rotili transformou a própria experiência com a burocracia italiana em orientação para médicos brasileiros interessados em trabalhar no país

DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

Quando decidiu deixar o Rio Grande do Sul para viver na Europa, a médica Gabriela Rotili sabia que estava iniciando um novo capítulo da vida. A mudança envolvia adaptação cultural, reorganização da rotina familiar e o desafio de reconstruir a carreira em outro país. O que ela não imaginava era que o processo para validar seu diploma na Itália acabaria redefinindo sua trajetória profissional.

Formada em Medicina pela Universidade Luterana do Brasil, Gabriela construiu sua carreira no país atuando na área de medicina do trabalho. A profissão sempre foi o eixo central da sua vida. A decisão de se mudar para a Itália, em 2019, surgiu da busca por melhor qualidade de vida para a família e por novas perspectivas para os filhos.

Ela embarcou para o país europeu ao lado do marido e das crianças, disposta a recomeçar.

“Eu estava insegura, com filhos pequenos e toda uma adaptação pela frente, mas estávamos decididos e tínhamos um verdadeiro motivo para continuar”, relembra.

Desafio da burocracia

Ao chegar à Itália, Gabriela se deparou com um cenário que exigia mais do que adaptação cultural. Para exercer a medicina no país, era necessário passar por um processo administrativo detalhado, com exigências específicas e etapas pouco conhecidas entre profissionais brasileiros.

Cada documento precisava estar correto e cada fase tinha prazos e critérios próprios.

“Quando falavam sobre a burocracia italiana eu não entendia muito bem o que significava. Fui descobrir na prática”, conta.

Durante a própria jornada de revalidação do diploma, Gabriela percebeu que muitos médicos brasileiros enfrentavam as mesmas dúvidas. Questões como por onde começar, quais documentos reunir e como evitar erros que pudessem atrasar o processo eram frequentes entre profissionais interessados em atuar na Europa.

Experiência que virou orientação

O que começou como uma troca de informações entre colegas ganhou outra dimensão com o tempo. Gabriela passou a organizar as etapas do processo, estudar as normas com mais profundidade e compreender os padrões adotados pelas autoridades italianas.

A experiência, inicialmente pessoal, começou a servir de referência para outros médicos brasileiros.

“Quando percebi que o meu processo de revalidação não era um caso isolado, mas uma dor coletiva, tudo mudou. Quando dezenas de médicos começaram a me procurar pedindo orientação, entendi que aquilo não era mais só experiência pessoal, era também uma responsabilidade”, afirma.

Ponte entre Brasil e Europa

Desde 2021 atuando na Itália, Gabriela passou a orientar médicos de diferentes regiões do Brasil que desejam exercer a profissão no país europeu. O trabalho envolve análise individualizada de cada caso, organização estratégica da documentação e acompanhamento das etapas administrativas exigidas pelo sistema italiano.

Ao longo dos últimos anos, a médica gaúcha construiu uma atuação que conecta Brasil e Europa por meio da medicina. Hoje, além de exercer a profissão na Itália, Gabriela Rotili se tornou referência nacional quando o assunto é revalidação médica no país europeu.

“Olhar para trás e ver que essa experiência virou um projeto que ajuda outros médicos a encurtarem esse caminho é muito significativo. Não é apenas sobre ter conseguido trabalhar em outro país. É sobre transformar uma experiência individual em algo coletivo, que gera oportunidade para muitas outras pessoas”, diz.

Demanda internacional por médicos

O movimento de médicos brasileiros em busca de oportunidades no exterior tem crescido nos últimos anos. De acordo com dados do Conselho Federal de Medicina, o Brasil possui atualmente mais de 575 mil profissionais registrados.

Ao mesmo tempo, países europeus enfrentam escassez de médicos. Na Itália, o déficit de profissionais está relacionado principalmente ao envelhecimento da população e à aposentadoria de médicos formados nas décadas anteriores, cenário que amplia as oportunidades para profissionais estrangeiros qualificados.

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