Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Médicos viram réus por morte de gestante e bebê em Rio Preto; MP aponta omissão em tratamento

Denúncia aceita pela Justiça afirma que paciente grávida de alto risco procurou atendimento cinco vezes antes de morrer; profissionais responderão.

Médicos viram réus por morte de gestante e bebê em Rio Preto; MP aponta omissão em tratamento

Denúncia aceita pela Justiça afirma que paciente grávida de alto risco procurou atendimento cinco vezes antes de morrer; profissionais responderão por homicídio culposo

DA REDAÇÃO – SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

Três médicos denunciados pelo Ministério Público de São Paulo passaram à condição de réus após a Justiça aceitar, nesta quarta-feira (10), denúncia por homicídio culposo pela morte de uma gestante e do bebê que ela esperava em São José do Rio Preto.

Segundo a Promotoria, os profissionais teriam se omitido diante do agravamento do quadro clínico da paciente, que estava entre a 30ª e a 31ª semana de gestação e era portadora de anemia falciforme, condição considerada de alto risco.

De acordo com a denúncia apresentada pela promotora de Justiça Valéria Ferreira de Lima, a mulher procurou atendimento médico cinco vezes entre os dias 17 e 20 de março de 2020, apresentando sintomas gripais persistentes e exames laboratoriais que indicavam um processo infeccioso em evolução.

Apesar disso, os médicos não teriam determinado a internação da paciente nem prescrito o antiviral oseltamivir, medicamento recomendado pelos protocolos do Ministério da Saúde para gestantes com síndrome gripal.

Gestante morreu e bebê nasceu sem sinais vitais

Conforme os autos, o quadro infeccioso evoluiu rapidamente e resultou na morte da gestante e do feto.

A investigação concluiu que os três médicos contribuíram, em momentos distintos, para o agravamento da situação ao não reconhecerem a gravidade do caso e deixarem de adotar medidas consideradas essenciais para o tratamento.

Laudos periciais apontaram que a causa da morte foi uma síndrome da resposta inflamatória sistêmica decorrente de infecção por influenza A.

Exames apontavam agravamento, diz denúncia

Segundo o Ministério Público, exames realizados ao longo do período demonstravam sinais evidentes de infecção aguda progressiva.

Na denúncia, a promotora destaca que os hemogramas apresentavam anemia crônica, leucocitose com neutrofilia e plaquetose, alterações laboratoriais compatíveis com um quadro infeccioso grave.

“Esses dados estavam disponíveis nos prontuários de atendimento e deveriam ter sido valorados pelos médicos plantonistas que atenderam Nayara nos dias 17, 18 e 19 de março de 2020. Não foram”, afirma trecho da denúncia.

Ministério Público pede indenização à família

Além da responsabilização criminal dos acusados, o Ministério Público requereu à Justiça a fixação de indenização mínima por danos morais aos familiares da vítima.

O pedido prevê o pagamento de:

  • R$ 150 mil ao viúvo;
  • R$ 80 mil à mãe da vítima;
  • R$ 80 mil ao pai;
  • R$ 150 mil para cada filho eventualmente existente.

A Promotoria pede que os três médicos respondam solidariamente pelos valores, sem prejuízo de futuras ações cíveis para reparação complementar dos danos.

Processo seguirá para fase de instrução

Com o recebimento da denúncia, os médicos passam a responder formalmente ao processo criminal. A ação entra agora na fase de instrução, quando serão produzidas provas e colhidos depoimentos para julgamento do caso.

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