Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Merenda escolar para professor

Hélio Consolaro   Há muito gostaria de escrever sobre merenda. Como quase sempre abordo temas da pauta do dia na.

Merenda escolar para professor

Hélio Consolaro

Há muito gostaria de escrever sobre merenda. Como quase sempre abordo temas da pauta do dia na mídia, o assunto ficava para trás.

Já houve tempo em que a merenda escolar vinha toda enlatada, supermanipulada. As licitações não eram tão honestas. Com o governo Montoro, surgiu a ideia de valorizar o agricultor local, comprar produtos da agricultura familiar, então o alimento servido ficou mais saudável.

Agora, a Câmara Federal está montada no assunto, discutindo projeto do deputado Fernando Máximo (União RO) propondo que professores, diretores e coordenadores da rede pública consumam a merenda escolar, sem que isso afete seu auxílio-alimentação, com o objetivo de valorizar a integração no ambiente escolar.

Em Araçatuba, à caça de um projeto para se chamar de seu, o vereador Luís Boatto (Solidariedade) apresentou o mesmo projeto. Plagiou, copiou, apoiou a ideia. Nas escolas municipais de Araçatuba, predomina também a proibição.

Como aluno, nunca tive merenda escolar (1957-60). No antigo prédio da EE Francisca de Arruda Fernandes, onde funciona hoje a FEA, levava-se de casa o lanche ou comprava-se qualquer coisa na escola. Já o professor Consa, (ensino fundamental 2) era o primeiro a receber a sopa do dia, a título de ver se estava boa, era o que se servia como merenda escolar. Por causa disse, os alunos de escola pública me chamavam de Sopão.

Tenho saudade do chamado de Dona Romilda, a merendeira:

– O café está pronto, não está “escuitando” o cheiro? – o português era castigado, mas o café, uma delícia.

De vez em quando, nas ruas de Araçatuba, ouço algum barbado me cumprimentar: “Fala, Sopão!”. Aí puxo como resposta tradicional: “Velhos tempos!”. Nem sempre dá tempo de dar resposta, trata-se de um grito passando rapidamente numa moto.

Quando eu entregava as provas, se o aluno tirasse D ou E, eu dizia: “Toma sopa?”. Se dissesse: “Não!”, eu lhe respondia: “Caramba! Não tira nota e nem toma sopa. O que você vem fazer na escola?” O aluno ia para sua carteira resmungando como resposta: “Não sou sopão!”

Antigamente a merenda era uma forma de completar a alimentação do aluno na escola, havia o caráter da assistência social. Criou-se o conceito de que o professor e funcionário que comesse merenda na escola, estava deixando alguma criança sem comer. Proibiu-se.

A ideia está voltando com outro propósito: haver integração na ambiência escolar. Comer fora de casa, no serviço, atualmente é uma rotina. Daí a proposta do projeto.

A equipe pedagógica da escola comer a merenda (não é obrigado) é sinal de validação, de que ela está boa, estimula mais os alunos. Afinal, matar a fome não é comer qualquer coisa.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna-RJ

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