Em entrevista ao Bom Dia, Ministro, Vinícius Marques de Carvalho destaca aumento da confiança nas instituições e detalha ações de combate à corrupção e fortalecimento da transparência
DA REDAÇÃO – BRASÍLIA
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, afirmou nesta quinta-feira (12) que o governo federal tem intensificado o enfrentamento a esquemas de fraude e corrupção no país. Durante participação no programa Bom Dia, Ministro, ele destacou dados de pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que apontam aumento da confiança dos brasileiros nas instituições públicas entre 2022 e 2025.
Segundo o levantamento, a confiança no Governo do Brasil cresceu 12 pontos percentuais no período, alcançando 38% — o maior avanço entre os países da América Latina e do Caribe. O país passou de um patamar próximo ou abaixo da média regional para índices superiores em diversos indicadores de confiança institucional.
“A satisfação com o sistema de saúde passou de 32% para 40%; com o sistema de educação, de 29,7% para 55%; com os serviços administrativos, de 31,8% para 55%. A percepção de que um pedido de benefício seria tratado com justiça subiu de 19% para 48%, e a de que um funcionário público recusaria suborno passou de 20% para 40%”, destacou o ministro.
Confiança institucional em alta
Entre os dados mais expressivos, o Brasil aparece como o país com maior nível de confiança no sistema eleitoral na América Latina, com 48% — nove pontos acima da média regional. A confiança no serviço público chegou a 42%, também acima da média latino-americana.
Para o ministro, o fortalecimento da democracia e o aprimoramento das políticas públicas são fatores determinantes para esse avanço. “A reconquista da democracia é o que permite que as pessoas confiem mais na capacidade de participar da política. É um ponto relevante elas confiarem mais no governo federal. Outro aspecto importante é que os serviços e as políticas públicas vêm melhorando”, afirmou.
Combate à corrupção e fortalecimento do controle
O enfrentamento à corrupção foi outro ponto central da entrevista. Vinícius Marques de Carvalho ressaltou que o foco não é apenas reconhecer a existência do problema, mas fortalecer mecanismos de controle e transparência.
“O que o mundo discute hoje não é se há ou não corrupção, mas o que o governo faz para enfrentá-la e melhorar as instituições”, afirmou.
Em 2025, a CGU publicou 628 relatórios de auditoria — aumento de cerca de 40% em relação a 2022, quando foram divulgados 381 documentos. No mesmo período, o número de entes federativos fiscalizados saltou de 151 para 404, crescimento de 167%.
As auditorias resultaram em mais de R$ 40 bilhões em benefícios financeiros, valor 25% superior ao registrado em 2021 (R$ 32,2 bilhões) e mais que o dobro do apurado em 2022 (R$ 19,6 bilhões). Segundo o ministro, somente nos últimos três anos houve economia superior a R$ 3 bilhões em licitações públicas.
“Estamos enfrentando os grandes esquemas de fraudes no Brasil. Estamos dificultando a vida de quem atua na relação com o Estado de maneira fraudulenta. Este é o nosso objetivo e tem sido o compromisso do governo do presidente Lula”, declarou.
Caso INSS e Banco Master
Ao comentar os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, o ministro afirmou que há atuação coordenada para responsabilizar entidades envolvidas e bloquear recursos.
Sobre o caso do Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no âmbito de investigações da Polícia Federal, ele explicou que a CGU atua sempre que houver indícios de envolvimento de servidores públicos federais.
“Se houver servidores públicos federais envolvidos em qualquer tipo de ato de corrupção, a CGU tem a função de processar e até condenar. Também podemos aplicar a Lei Anticorrupção, que prevê multas e outras punições para pessoas jurídicas”, afirmou.
O ministro acrescentou que, caso sejam identificados indícios de pagamento de propina, fraude em processos de fiscalização ou qualquer outro ato ilícito envolvendo agentes públicos federais, a CGU poderá instaurar procedimento com base na legislação anticorrupção.






