A Unidade Sesc Baía das Pedras, em Poconé (MT), comemora a chegada de Tiquinho, que nasceu na primeira semana de fevereiro; ele é filho de Tião, símbolo da resiliência, ferido no incêndio histórico que destruiu dezenas de milhares de hectares no pantanal, em 2020 e de Pitanga, uma anta que foi resgatada ainda filhote, vitimada por atropelamento
ANTÔNIO CRISPIM – POCONÉ
Em 2020, um incêndio de proporções gigantescas que destruiu dezenas de milhares de hectares de mata e matou milhares de animais, comoveu o Brasil e o mundo. Três animais se tornaram símbolo desta tragédia ambiental: a onça Ousado e a anta Valente, que após muitos cuidados foram reintroduzidos na natureza e a anta Tião, que foi resgatado ainda filhote e que após todos os cuidados, não teve como ser levado para a natureza, pois não sobreviveria, já que ficou com sequelas. Ele foi levado para a Baía das Pedras, do Sesc Pantanal. Em 2023, uma anta, a Pitanga, ainda filhote, foi resgatada pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso após ser atropelada em uma rodovia. Como sequela, teve um olho comprometido, também sem condições de voltar para a natureza. Assim, o casal, unido por tragédias – incêndio e atropelamento – ficou acolhidos no mesmo local. Na primeira semana de fevereiro deste ano nasceu o primeiro filhote, que levou o nome de Tiquinho.
VEJA TAMBÉM: https://nossacidade.online/sesc-pantanal-tres-decadas-impactando-vidas-e-mudando-a-realidade-de-vasta-regiao/
Tião resistiu às queimaduras e tornou-se símbolo de resiliência. O animal, ainda filhote, foi resgatado em 12 de setembro de 2020, com as quatro patas gravemente queimadas e sofrendo de desidratação e desnutrição severa. Tião recebeu cuidados intensivos da ONG Ampara Silvestre em parceria com o Sesc Pantanal, incluindo o uso de pele de tilápia e laserterapia para tratar as queimaduras nos cascos. Após um longo período de reabilitação, Tião não pôde ser solto devido às sequelas físicas. Ele foi transferido para um recinto amplo de “natureza cercada” no Parque Sesc Baía das Pedras, em Poconé (MT).
Em 2023, Tião ganhou a companhia de “Pitanga”, uma fêmea de anta também resgatada, para ajudar em seu bem-estar social. Os funcionários do Sesc na Baía das Pedras criaram um ambiente favorável para o casal, respeitando as limitações de cada um. Tião caminha com relativa dificuldade e passa longo período deitado.
Os animais, que foram unidos por tragédias e que não puderam ser reintroduzidos na natureza, se acasalaram no fim de 2024 ou início de 2025, já que a gestação é de 13 a 14 meses. Na primeira semana de fevereiro deste ano nasceu o primeiro filhote, que recebeu o nome de Tiquinho. A fêmea e o filhote foram separados rapidamente de macho. Os três recebem atenção especial da equipe da Baía das Pedras.
Nascimento raro e alerta na natureza
O nascimento do filhote é comemorado como um marco pela equipe do Sesc Pantanal, mas também trouxe novos desafios. A presença de uma onça-pintada nas proximidades acendeu o alerta.
O felino, possivelmente atraído pelo filhote — presa mais vulnerável — chegou a ser flagrado por funcionários. Marcas no alambrado e um ferimento leve em Pitanga reforçam a suspeita de aproximação do predador.
Em um possível instinto de proteção, a mãe teria se colocado entre a onça e o filhote. Após o episódio, Pitanga passou dias dentro de um lago, em recuperação.
Para reforçar a segurança, a equipe aumentou a iluminação da área, tentando afastar o predador e garantir a proteção dos animais.
VEJA TAMBÉM: https://nossacidade.online/turismo-do-sesc-vai-alem-de-lazer-e-recreacao-e-proporciona-imersao-na-cultura-e-riquezas-dos-locais-visitados/
Esperança em meio à tragédia
A história de Tião, Pitanga e agora Tiquinho vai além de um nascimento: ela simboliza resiliência, adaptação e o papel humano na recuperação de animais vítimas de impactos ambientais.
Em meio às cicatrizes deixadas por incêndios e acidentes, a chegada de uma nova vida reacende a esperança — e reforça a importância da preservação do Pantanal.






