Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Moradores de Taveira temem novo período chuvoso e repetição de problemas da Pompeu

Obra de macrodrenagem iniciada no ano passado ainda não foi concluída; população enfrenta dificuldades de acesso e teme alagamentos ANTÔNIO.

Moradores de Taveira temem novo período chuvoso e repetição de problemas da Pompeu

Obra de macrodrenagem iniciada no ano passado ainda não foi concluída; população enfrenta dificuldades de acesso e teme alagamentos

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

O que começou como a promessa de solução para antigos problemas virou pesadelo para moradores de Engenheiro Taveira, em Araçatuba. A obra de macrodrenagem iniciada pela Prefeitura no ano passado não foi concluída e segue sem previsão para término. A situação preocupa os moradores, que temem a chegada do período chuvoso e a repetição dos transtornos enfrentados no final de 2024, como dificuldade de acesso às residências e rompimento de redes de água e esgoto.

A preocupação se intensifica com a comparação ao que aconteceu no prolongamento da Avenida Joaquim Pompeu de Toledo. A obra ali foi inaugurada, mas apresentou falhas graves que agora exigem reparos. Em Taveira, o temor é que a história se repita.

Licitação e problemas semelhantes

Assim como na Pompeu, as obras de Taveira foram licitadas simultaneamente, incluindo macrodrenagem e pavimentação, em modelo que já havia gerado problemas anteriormente. No caso da Pompeu, as licitações tiveram de ser refeitas, e o custo saltou de pouco mais de R$ 11 milhões para aproximadamente R$ 23 milhões.

Mesmo após esse histórico, a administração do ex-prefeito Dilador Borges Damasceno repetiu o modelo, com orçamento estimado em R$ 10 milhões para Taveira. Os serviços foram anunciados com entusiasmo, mas até agora não foram concluídos.

Durante a execução, foram constantes os rompimentos de redes de água e esgoto. A situação foi tão grave que a concessionária GS Inima Samar precisou manter equipes no local para realizar os reparos com agilidade.

Erros e obras refeitas

A sensação de despreparo ou falhas no projeto foi compartilhada por diversos moradores. “Como podem romper tantos canos assim? O projeto não mostra onde estão os canos de água e esgoto?”, questionou uma moradora, que ficou sem água em sua residência.

A impressão popular tem ganhado respaldo na prática. Muitas bocas de lobo estão sendo refeitas por conta de desníveis e má execução, inclusive na mesma rua, gerando desconfiança sobre a qualidade e fiscalização da obra.

O vereador Damião Brito visitou o local no último fim de semana e confirmou as irregularidades. “Dá a impressão de que o projeto foi elaborado sem base na planta de referência da rede de saneamento. Será que o município – Daea, Prefeitura e concessionária – não dispõe dessa planta tão essencial para projetos desse porte?”, questionou o parlamentar, que promete acompanhar o caso de perto.

A moradora Rosângela Silva, uma das mais ativas nas cobranças à Prefeitura, disse temer que a situação se agrave ainda mais com a chegada das chuvas. “

Números desencontrados

A reportagem do Portal Nossa Cidade levantou informações no Portal da Transparência sobre os valores contratados e pagos pela obra. Na aba de contratos, consta um valor empenhado de R$ 6.969.287,86 e o valor pago de R$ 5.410.351,23. Já na aba de despesas por fornecedor, a Construtora Vilarinho recebeu R$ 4.361.863,97, sendo R$ 3.676.407,06 em 2024 e R$ 685.456,91 em 2025. Os dados, no entanto, podem estar desatualizados.

Autuação e notificações

A Prefeitura confirmou que a Construtora Vilarinho foi multada em 10% do valor do contrato – o equivalente a R$ 549.993,06. Segundo a administração municipal, o prazo da obra terminou em 23 de junho e não houve aditamento.

“A empreiteira protocolou documento dizendo que tinha concluído o serviço. No entanto, os fiscais constataram pendências. Por isso, além da cobrança da conclusão, foram solicitadas adequações e a penalização da empresa”, informou a assessoria de imprensa da Prefeitura.

Fiscais da administração detectaram irregularidades e notificaram a empresa para que os serviços fossem corrigidos. A pavimentação será retomada após a conclusão da macrodrenagem. “Será necessário um parecer da GS Inima Samar garantindo que a obra não impactará a rede de esgoto”.

Apesar dos problemas, a Prefeitura afirma que o contrato de pavimentação será mantido e não há previsão de nova licitação.

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