Professora deixou um legado de realizações, como o início da retirada dos trilhos do centro da cidade, construção da prainha e a criação da Guarda Municipal, entre tantas outras iniciativas.
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Araçatuba amanheceu de luto neste sábado (26). Faleceu na noite de sexta-feira, na Chácara Morada do Sol, a ex-prefeita professora Germínia Dolce Venturolli, aos 93 anos. O corpo está sendo velado na Câmara Municipal e será sepultado às 17 horas no Cemitério da Saudade. Viúva do também professor e ex-prefeito Sylvio José Venturolli, dona Germínia governou a cidade em dois períodos, deixando um legado de grandes realizações. O casal teve quatro filhos: Sylvio, Sérgio, Sirte e Silvia, genros, noras, netos e bisnetos. Ela foi a primeira e única mulher a ser eleita prefeita de Araçatuba. Outra prefeita foi a pecuarista Marilene Magri Marques, mas que assumiu devido à cassação do prefeito Jorge Maluly Netto. O prefeito Dilador Borges Damaceno decretou luto oficial no município por tres dias.
O casal Sylvio José Venturolli e Germínia Dolce Venturolli era natural de Corumbataí. Ele nasceu no dia 4 de fevereiro de 1930 e morreu no dia 29 de março de 2009, em Araçatuba. Ela nasceu no dia 14 de maio de 1931. Os jovens se casaram em 1951 e pouco tempo depois o casal fixou residência em Araçatuba. O professor Sylvio lecionava matemática no Instituto de Educação Manoel Bento da Cruz.
Muito envolvido no esporte, logo foi atraído para a política, elegendo-se vice-prefeito (governo de Valdemar Alves) e assumiu a prefeitura entre setembro e outubro de 1963. Depois foi prefeito entre 1964 e 1968. Foi deputado federal em dois mandatos, de 1971 a 1974 e de 1975 a 1978.
O casal se afastou das disputas políticas, mas a Chácara Morada do Sol sempre foi palco de intensas reuniões de líderes políticos e articulações. Estrategicamente localizada, a chácara era um refúgio para o casal, que vivia em meio à natureza e servia, também, para as reuniões mais discretas dos políticos.
Em 1982, Sylvio José Venturolli tentou voltar à Prefeitura, mas mesmo sendo o mais votado isoladamente, com 16.984 votos, perdeu para a soma das legendas do PMDB. O vitorioso foi Sidney Cinti, com 12.280 (Valdir Felizola de Moraes teve 10.773 e João Jorge Rezek teve 10.123 votos).
Nas eleições de 1988, o grupo político voltou à disputa. Desta vez, dona Germínia, que sempre atuou ao lado do marido, foi a candidata. Nas urnas ele obteve 25.427 votos, vencendo Domingos Martin Andorfato, com 19.982, Hélio Consolaro, com 11.434 e João Jorge Rezek com 7.414. A campanha teve como base na retirada dos trilhos do centro da cidade. Eleita, ela e o marido, considerado um supersecretário, deram início ao trabalho, que foi concluído no governo seguinte, de Domingos Martin Andorfato.
Os governos de dona Germínia sempre foram voltados à educação, desenvolvimento e saúde. Construiu o Hospital da Mulher, o Pronto Socorro, Ginásio de Esportes, prainha municipal, criou a Guarda Municipal. Terminou o mandato com alto índice de aprovação, mas naquela época não tinha reeleição, que foi aprovada em 1997, ano em que voltou à Prefeitura (foi eleita prefeita em 1996). Em 2000, tentou a reeleição, mas perdeu para o deputado federal Jorge Maluly Neto.
Embora natural de Corumbataí, o casal Germínia e Sylvio José Venturolli, ainda muito jovem, escolheu Araçatuba para morar e fez parte da história da cidade.










