Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Mulheres são 83% dos profissionais de Biomedicina no Brasil

Além da maioria numérica, biomédicas ampliam presença na pesquisa científica, na gestão e no empreendedorismo, mas ainda enfrentam desafios como.

Mulheres são 83% dos profissionais de Biomedicina no Brasil

Além da maioria numérica, biomédicas ampliam presença na pesquisa científica, na gestão e no empreendedorismo, mas ainda enfrentam desafios como reconhecimento salarial e acesso a cargos de liderança

DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

A área da saúde no Brasil tem um perfil bem definido: é majoritariamente feminina. Quando o recorte é a Biomedicina, essa presença se torna ainda mais expressiva. Segundo dados do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), dos cerca de 180 mil biomédicos em atuação no país, aproximadamente 149 mil são mulheres — o equivalente a 83% da categoria.

A predominância feminina também aparece em âmbito regional. No Conselho Regional de Biomedicina da 6ª Região (CRBM6), que abrange o Paraná, dos 7.730 profissionais inscritos, 6.754 são mulheres, representando 87% do total. O dado evidencia que grande parte da ciência laboratorial, da investigação diagnóstica e da inovação tecnológica em saúde no estado passa diretamente pelo trabalho feminino.

Ciência, cuidado e propósito

Levantamentos feitos por conselhos de classe apontam que as mulheres são maioria em hospitais e em áreas estratégicas como análises clínicas, diagnóstico laboratorial, saúde pública, pesquisa científica, estética e biomedicina.

Para lideranças do setor, essa escolha expressiva das mulheres pela profissão não acontece por acaso. A diretora-secretária do CFBM, Daiane Pereira Camacho — doutora em Microbiologia e primeira mulher a ocupar um cargo na diretoria do órgão federal — afirma que a conexão histórica entre mulheres, cuidado e ciência ajuda a explicar o fenômeno.

Segundo ela, a Biomedicina atrai profissionais com perfil analítico e investigativo, que buscam unir propósito social à produção de conhecimento científico capaz de impactar diretamente a vida das pessoas.

A conselheira diretora-secretária do CRBM6, Jannaina Ferreira de Melo Vasco, doutora em Saúde da Criança e do Adolescente, acrescenta que a versatilidade da profissão também contribui para essa presença feminina expressiva. De acordo com ela, a Biomedicina conecta diagnóstico, prevenção e inovação, permitindo atuação em diferentes frentes — do laboratório à gestão, passando pela docência e pela estética.

Avanços femininos na última década

Nos últimos anos, a participação das mulheres na Biomedicina deixou de ser apenas numérica e passou a ganhar protagonismo técnico e institucional. Especialistas destacam que a última década foi marcada por avanços importantes em diferentes áreas da profissão.

Entre as principais conquistas estão a ampliação da presença feminina em cargos de liderança e gestão, com biomédicas assumindo diretorias em conselhos profissionais, coordenação de laboratórios e funções ligadas à gestão de qualidade.

Outro destaque é a consolidação da Biomedicina Estética, habilitação que ampliou a autonomia técnica e abriu novas possibilidades de empreendedorismo para as profissionais da área.

Também houve crescimento significativo da presença feminina em centros de pesquisa e na produção científica, com aumento da participação de biomédicas em publicações acadêmicas e projetos de investigação científica.

Desafios ainda persistem

Apesar da ampla presença feminina na profissão, especialistas apontam que ainda existem barreiras a serem superadas. Um dos principais desafios é o chamado “teto de vidro”, expressão usada para descrever as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para alcançar os cargos mais altos da hierarquia científica e corporativa.

Entre os principais obstáculos estão as diferenças salariais, que ainda aparecem em alguns setores, especialmente em posições de liderança, e a necessidade de critérios mais claros e objetivos para promoções e reconhecimento profissional.

Outro ponto sensível é a conciliação entre maternidade e carreira científica. A falta de políticas estruturadas que permitam equilibrar a exigência da trajetória acadêmica com a vida familiar ainda representa um desafio para muitas profissionais.

Também há a necessidade de ampliar a representatividade feminina em posições estratégicas de decisão dentro da área.

Incentivo à pesquisa e valorização profissional

Para fortalecer ainda mais a presença feminina na Biomedicina, especialistas defendem a ampliação de políticas de incentivo à pesquisa científica, como bolsas de estudo, estímulo à iniciação científica e programas de mentoria voltados à formação de novas pesquisadoras.

Segundo Jannaina Vasco, é fundamental construir ambientes profissionais que não penalizem as mulheres por questões biológicas ou sociais. Para ela, ser maioria na base da profissão não pode significar ausência nos cargos de liderança.

Daiane Camacho ressalta que a mulher biomédica já ocupa papel central na ciência, no diagnóstico, na pesquisa e na inovação em saúde. Segundo ela, o fortalecimento da profissão passa necessariamente pelo reconhecimento e pela valorização dessas profissionais.

O presidente do CRBM6, Thiago Massuda, também reforça a importância do protagonismo feminino no setor. Para ele, as mulheres desempenham papel fundamental na saúde e na Biomedicina e merecem reconhecimento e apoio pelo impacto que geram na sociedade.

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