FERNANDA LARA
Passei os últimos dias olhando com atenção os dados sobre a presença das mulheres na liderança do jornalismo, motivada também pela proximidade do Dia Internacional da Mulher, no próximo domingo.
Curiosamente, escrevo sobre uma realidade que não vivi. Minha experiência em redação, entre 2004 e 2007, foi moldada por exemplos femininos de liderança. Trabalhei em uma redação comandada por mulheres fortes, que lideravam, naquele momento, a maior redação do país fora do eixo São Paulo–Rio (usei dados do IVC da época).
Se hoje exerço posições de liderança no setor em que escolhi atuar, devo muito a referências das líderes do Correio na época: Cristine Gentil, Sibele Negromonte e Ana Dubeux, correndo o risco de cometer a injustiça de deixar de fora outras jornalistas igualmente brilhantes.
O problema é que a realidade da profissão, quando olhamos os dados, está
longe de refletir a experiência que vivi naquela redação. E dedicar apenas um dia por ano para lembrar dessa desigualdade ainda é muito pouco.
Se esse texto alcançar outras jovens jornalistas, talvez ocupando vaga de estágio nas redações, minha recomendação é: tenha um enorme atrevimento na ponta do nariz, faça reportagens de experimentação e não mais do mesmo e, principalmente, ouse buscar referências para ser sua melhor versão.






