DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA
O início da manhã foi de intenso movimento policial em Araçatuba com a deflagração da Operação Ligações Perigosas, desenvolvida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a Polícia Civil, por intermédio do DEIC de Araçatuba, e a Polícia Militar (diferentes unidades). Operação Ligações Perigosas tinha como como objetivo o enfrentamento à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Araçatuba, com foco na infiltração da facção na política local, no tráfico de drogas e no esclarecimento de homicídios. Com a mobilização de centenas de policiais, dezenas de dois helicópteros (Águia, da PM e Pelicano, Polícia Civil). No entanto, o maior impacto foi a prisão do vereador Antônio Edwaldo Dunga Costa, investigado por suposta ligação com o crime organizado (Primeiro Comando da Capital) e a morte de um faccionado do PCC na zona sul da cidade, durante cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão temporária. Houve reação e o suspeito foi morto a tiros. Dunga foi preso por ter em sua casa uma arma com numeração suprimida.
De acordo com o Ministério Público do Estado de São Paulo, a operação foi resultado de esforço investigativo coordenado do Gaeco e Deic, buscando desarticular as atividades da organização criminosa mediante repressão e responsabilização de seus membros e colaboradores. As investigações apontaram ordens do crime organizado, até mesmo de dentro de presídios, determinando ações em Araçatuba e cidades da região. Além disso, foi apurado o financiamento de manifestações populares, inclusive em Brasília, contra o fim da saída temporária. Há indícios de financiamento de personalidades públicas de Araçatuba para estas manifestações.
Quanto à operação, foram expedidos 35 mandados de prisão temporária e 104 mandados de busca e apreensão, pela 1ª e pela 2ª Varas Criminais da Comarca de Araçatuba. Os mandados foram cumpridos em Araçatuba, Birigui, Penápolis, São Paulo, Paraguaçu Paulista, Assis, São José do Rio Preto e Anhumas, entre outras em São Paulo e Dourados em Mato Grosso do Sul.
Para desenvolvimento da operação foram 424 policiais civis e militares, com apoio de dois helicópteros, além de policiais penais, policiais do SOI, do GAECO/MS, quatro promotores de justiça e s servidores do Ministério Público. Foram cumpridos, também, com apoio do GIR (Grupo de Intervenção Rápida), da Secretaria de Administração Penitenciária, mandados de busca em estabelecimentos prisionais do Estado, de onde líderes da organização criminosa buscavam emitir ordens para prática de crimes nas ruas de Araçatuba.
PRISÕES
Na entrevista coletiva à imprensa, pouco depois das 12 horas, o representante do Gaeco apresentou um balanço da operação, resultado na prisão de 23 pessoas, sendo 10 em Araçatuba, apreensão de seis armas, mais de seis quilos de drogas. Foi apreendida certa quantia em dinheiro.
Os delegados do Deic disseram que as investigações partiram a partir de inquéritos instaurados para apuração de homicídios, tráfico de drogas e outras ações.
O Comando do CPI 10 falou sobre a participação de unidades do Baep de Araçatuba, Bauru, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, além de equipes de Força Tática de Araçatuba e Andradina.
A expectativa é de que a partir da apreensão de documentos e dispositivos apreendidos durante a operação, inclusive de líderes de expressão dentro da organização criminosa, como Disciplina 018, será possível avançar nas investigações para apurar a participação de cada um e até mesmo identificar novos envolvidos. Para os policiais, é possível que o número de homicídios seja reduzido em Araçatuba a partir de agora.
PRISÃO DO VEREADOR
Embora sem citar nome porque as investigações estão em sigilo e em andamento, o promotor do Gaeco admitiu o cumprimento de mandado na casa e endereços ligados a um líder político, porque há indícios de envolvimento com o irmão de um ex-chefe de gabinete, que é faccionado ao PCC e o próprio ex-chefe de gabinete estaria ligado ao tráfico. Porém, os mandatos foram cumpridos na casa do vereador Antônio Edwaldo Dunga Costa, no gabinete na Câmara Municipal e na sede da Aipesp (Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo). Ao lado funciona uma clínica também gerida pelo vereador.
No caso de Dunga, era apenas mandado de busca e apreensão. Porém, como os policiais encontraram uma arma – garrucha – com numeração suprimida, ele foi detido e conduzido à unidade policial para atuação. Este tipo de crime está previsto na legislação, devendo passar por audiência de custódia, que deve ocorrer na manhã deste sábado. O juiz pode conceder a liberdade ou converter a prisão em preventiva.
Em live publica em suas redes sociais, o vereador acusou adversários de explorar o fato, citando que o alvo era um ex-assessor. Porém, os mandados foram cumpridos em endereços ligados ao vereador.
“Não vou citar nomes. O que houve e houve e o que há, é uma investigação a respeito de possível infiltração de organização criminosa, especificamente o Primeiro Comando da Capital aqui na política de Araçatuba. Foi identificado um contato muito próximo de um indivíduo que foi chefe de gabinete do vereador na Câmara até recentemente. Indivíduo esse que o irmão é faccionado. Esse indivíduo também pratica o tráfico de entorpecente. Houve indícios de ter havido financiamento de autoridades públicas e de outras pessoas para financiar manifestações supostamente populares e espontâneas em Brasília contra o fim das saídas temporária. Esse foi o objeto que acabou ligando inicialmente as investigações e certamente encontramentos outros pontos de contato. Foi cumprido mandado de busca de pessoas politicamente expostas. Foi lavrado um auto de prisão em flagrante. Permanecem e persistem as investigações”, esclareceu o promotor.
MORTO EM CONFRONTO
Pouco depois das 6 horas desta sexta-feira, policiais do Baep chegaram a um apartamento em condomínio na Rua Maria Nazareth Villela, no Bairro Morada dos Nobres. O mandado era de busca e apreensão e de prisão de Fabrício de Melo Silva, considerado um faccionado do alto escalão do PCC. Não houve resposta aos chamados. A porta foi arrombada e durante a varredura do ambiente interno, o suspeito teria surgido de arma em punho, ameaçando os policiais. A reação foi imediata. Foram feitos disparos. O rapaz caiu no local e morreu. Dentro do apartamento os policiais encontraram droga e R$ 1.490,00 em dinheiro.






