Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Nova opção de tratamento traz esperança para mulheres que enfrentam menopausa após o câncer de mama

Medicamento não hormonal aprovado pela Anvisa promete aliviar ondas de calor e outros sintomas que comprometem a qualidade de vida.

Nova opção de tratamento traz esperança para mulheres que enfrentam menopausa após o câncer de mama

Medicamento não hormonal aprovado pela Anvisa promete aliviar ondas de calor e outros sintomas que comprometem a qualidade de vida de pacientes que venceram a doença

DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

Receber o diagnóstico de câncer de mama transforma completamente a vida de uma mulher. Cirurgias, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia passam a fazer parte da rotina em uma batalha cujo objetivo é um só: vencer a doença.

Graças aos avanços da medicina, cada vez mais mulheres alcançam a cura. No entanto, quando o tratamento termina, muitas descobrem que outra luta está apenas começando.

A menopausa induzida ou agravada pelos tratamentos oncológicos provoca sintomas intensos que afetam profundamente a qualidade de vida. Ondas de calor, suor excessivo, insônia, alterações de humor, fadiga e perda da libido fazem parte da realidade de milhares de sobreviventes do câncer de mama.

Agora, uma nova alternativa terapêutica aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode representar um importante avanço para esse grupo de pacientes.

Medicamento não hormonal amplia opções

Segundo o mastologista e cirurgião oncologista Dr. Wesley Pereira Andrade, a aprovação do fezolinetanto marca uma mudança importante no tratamento dos chamados fogachos — as ondas de calor e a sudorese características da menopausa.

“O fezolinetanto atua bloqueando os receptores da neurocinina B no hipotálamo, reduzindo as ondas de calor sem utilizar estrogênio ou progesterona. Isso faz dele uma alternativa particularmente relevante para mulheres que têm contraindicação à terapia hormonal, incluindo muitas sobreviventes do câncer de mama”, explica o especialista.

Como não utiliza hormônios femininos, o medicamento surge como uma opção para pacientes que, até então, tinham poucas alternativas específicas para controlar os sintomas.

Uma batalha silenciosa

De acordo com Wesley Andrade, embora a menopausa também ocorra naturalmente, nas mulheres tratadas contra o câncer de mama os sintomas costumam ser muito mais intensos e surgir de forma repentina.

“Como mastologista, acompanho diariamente mulheres que venceram o câncer, mas continuam enfrentando sintomas que comprometem profundamente sua qualidade de vida. Elas relatam noites interrompidas por ondas intensas de calor, roupas encharcadas de suor, fadiga persistente, alterações de humor, dificuldade de concentração e perda do desejo sexual”, afirma.

Segundo ele, esses efeitos podem permanecer por anos, interferindo no trabalho, nos relacionamentos, na prática de atividades físicas e até na autoestima das pacientes.

Sobreviver também significa viver bem

O especialista destaca que a oncologia moderna passou a incorporar o conceito conhecido como cancer survivorship — ou sobrevivência ao câncer —, que amplia o foco do tratamento.

“Hoje sabemos que sobreviver é apenas parte da história. Também precisamos garantir que essas mulheres durmam bem, mantenham sua vida profissional, preservem seus relacionamentos, pratiquem atividade física e tenham bem-estar físico e emocional”, ressalta.

Essa mudança de perspectiva considera que o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pelos anos de vida conquistados, mas também pela qualidade desses anos.

Qualidade de vida passa a ser prioridade

Para Wesley Andrade, recuperar a rotina faz parte do processo de cura.

“A mulher que vence um câncer de mama deseja voltar a dormir uma noite inteira. Quer trabalhar sem fadiga, viajar sem medo de uma crise de calor, viver sua sexualidade sem dor e recuperar sua autoestima. Esses objetivos não são secundários. Eles fazem parte do tratamento”, afirma.

Segundo o médico, os próximos anos deverão consolidar uma nova forma de cuidar das pacientes oncológicas, com atenção não apenas ao controle do tumor, mas também aos impactos físicos, emocionais e hormonais deixados pela doença.

“A boa notícia é que essa mudança já começou. Cada novo avanço terapêutico reforça uma ideia simples, mas poderosa: curar o câncer é fundamental. Devolver qualidade de vida às mulheres que o venceram é igualmente indispensável”, conclui o especialista.

Sobre o especialista

Wesley Pereira Andrade é médico mastologista e cirurgião oncologista, mestre e doutor em Oncologia, membro titular das sociedades brasileiras de Mastologia e de Cirurgia Oncológica, coordenador do Comitê de Oncologia Mamária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e integrante da Society of Surgical Oncology (SSO), dos Estados Unidos, e da European Society of Surgical Oncology (ESSO).

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