Medida cria proteção financeira contra emergências sanitárias e reforça posição do estado nos mercados internacionais
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
Os pecuaristas de São Paulo passam a contar, a partir de maio, com um importante reforço para proteger seus rebanhos — e o próprio bolso. O Governo do Estado criou o Fundesa-PEC, um fundo de sanidade animal que funciona como uma espécie de “seguro” para situações de emergência, como surtos de doenças.
A iniciativa chega em um momento estratégico, após o reconhecimento de São Paulo como área livre de febre aftosa sem vacinação — um dos mais altos níveis sanitários exigidos no comércio internacional.
Como funciona o “seguro” do produtor
Na prática, o Fundo de Defesa da Sanidade Animal para a Pecuária garante indenização ao produtor caso seja necessário eliminar animais para conter a disseminação de doenças.
O sistema será financiado pelos próprios pecuaristas, com contribuição calculada conforme o tamanho do rebanho. Em 2026, o valor será de R$ 1,06 por animal, cobrado durante a atualização obrigatória no sistema GEDAVE.
Resposta rápida evita prejuízos
De acordo com o diretor da Defesa Agropecuária, Luiz Henrique Barrochelo, o fundo é essencial para garantir agilidade em situações críticas.
“Sabemos que a febre aftosa pode levar à eliminação do rebanho. O fundo foi criado justamente para garantir que o produtor não fique no prejuízo.”
Antes do abate sanitário, é feita uma avaliação dos animais, e o produtor é indenizado integralmente com recursos do fundo — o que evita perdas financeiras e acelera o controle da doença.
Estratégia para manter mercados abertos
A criação do fundo também tem impacto direto na economia. O status sanitário é decisivo para exportações, especialmente para países mais exigentes.
Segundo o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, a medida fortalece a competitividade do agro paulista.
“A sanidade animal é um ativo econômico fundamental para a competitividade do agro paulista.”
Hoje, a cadeia de carnes representa 16,6% das exportações do estado, com destaque para a carne bovina, que responde por mais de 80% desse volume.
Bilhões em jogo
O agronegócio paulista começou 2026 com superávit de US$ 2,79 bilhões, sendo que o setor de carnes movimentou US$ 623 milhões. No mercado interno, a produção também cresce: alta de 21% em 2025, atingindo R$ 22,6 bilhões.
Nesse cenário, qualquer problema sanitário pode significar prejuízos gigantescos, inclusive com embargo de exportações.
Proteção que vai além do campo
Com o novo fundo, o estado ganha capacidade de agir rapidamente em caso de crise, reduzindo riscos sanitários e evitando impactos econômicos em cadeia.
“Quanto mais rápido conseguimos conter um foco, mais cedo recuperamos o status sanitário e evitamos perder mercados”, reforça Barrochelo.
Na prática, o Fundesa-PEC não protege apenas o produtor — mas toda a cadeia produtiva, garantindo estabilidade, credibilidade e acesso aos mercados globais mais exigentes.






