Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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O adeus a Sandra Lopes da Silva

ANTÔNIO CRISPIM Normalmente a morte não me comove. Mas ver o meu filho caçula chorar pela perda da madrinha e.

O adeus a Sandra Lopes da Silva

ANTÔNIO CRISPIM

Normalmente a morte não me comove. Mas ver o meu filho caçula chorar pela perda da madrinha e estando distante, confesso  que me comoveu. Foram muitas manifestações de pesar pela morte de Sandra Maria Lopes da Silva. Tais manifestações invadiram as redes sociais e com justiça. Só não fizeram justiça quando se referiam a ela, de forma simplista, como a irmã do prefeito Mário Celso Lopes ou a ex-primeira-dama, esposa do ex-prefeito Ernesto Antônio da Silva. Não que esteja errado ou seja demérito. Pelo contrário, Sandra orgulhava-se disso e adorava o irmão. Quanto ao marido, não precisa nem falar. Foi seu primeiro e único grande amor. Não era apenas irmã de Mário Celso e esposa de Ernesto ou mãe de Ernestinho, Enrique e Priscila. Sandra foi muito além disso.

Conheci o casal ainda na década  de 1970, quando Ernesto era presidente da Associação Bancária de Andradina (ABA). Os dois eram os primeiros a entrar na pista de dança e um dos últimos a sair. Depois vi o casal na Frutaria Única e na Discoteca Fundão. Apenas os conhecia. Tornei-me amigo do casal em 1983, quando retornei do Pará, após uma exaustiva atuação na campanha eleitoral para o governo do Estado e para o Senado. 

Na época, Sandra era servidora municipal cedida à Justiça Eleitoral. Era diretora do Cartório Eleitoral e por força profissional, passamos a ter contato com mais frequência. Da mesma forma, Ernesto era bancário (funcionário do Banespa), que convenceu o prefeito João Carlos Carreira a abrir um posto dentro da Prefeitura. Ernesto foi designado pelo banco para assumir o posto. Assim fiquei mais próximo do casal.

Ernesto fundou a Associação dos Bancários de Andradina, transformada pouco tempo depois no Sindicato dos Bancários. Em 1988, Ernesto foi eleito vereador com a segunda maior votação, ficando atrás apenas de Deusdethe Alexandre Salomão.

Devido ao posicionamento político de Ernesto, os dois sofreram perseguição covarde. Sandra acabou sendo retirada do Cartório e Ernesto sofreu muito no Banespa. O  casal permaneceu altivo. Sandra entrou na disputa pelo Sindicato dos Servidores Municipais  de Andradina e a partir daí a sua carreira estagnou. Jamais desistiu. Ernesto assumiu cargo na Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul, ficando na capital durante a  semana. Isso durante muitos anos e coube a Sandra o papel de estar ao  lado dos filhos em todos os momentos. E isso não foi fácil com três adolescentes.

A união de Sandra e Ernesto foi muito além do matrimônio. Era uma comunhão de pensamento e ações. Os dois sempre foram muito solidários, partilhavam o que tinham com os que procuravam. E foi assim que Sandra foi secretária de Assistência Social, mudando o perfil do cargo. E anos depois, como presidente do Fundo Social de Solidariedade, coordenou a política social do governo do marido. Com os filhos crescidos e muitos desafios na administração, Sandra ainda encontrou forças para fazer o curso de Serviço Social, em Três Lagoas.

A aparente fragilidade de Sandra encobria uma guerreira, em cuja sombra abrigava amigos, familiares e muitas vezes pessoas desconhecidas que a ela recorriam. Em momentos de grande turbulência, sempre teve o equilíbrio de não deixar tudo desmoronar.

Nos últimos anos, com alguns problemas de saúde, Sandra ficou mais restrita ao lar, cercada pelo afeto e zelo do marido Ernesto, dos filhos Ernestinho, Enrique e Priscila e dos netos.

Por tudo isso, me recuso a aceitar a forma simplista de referir-se a ela como irmã do prefeito e mulher de ex-prefeito. Sandra traçou caminho próprio e assim deve ser lembrada.

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