Como é ano de eleição para deputado, as discussões em várias cidades giram em torno de possíveis candidatos locais, alimentando o sonho verdadeiro de ter seu próprio representante. Araçatuba não foge à regra. Muitas pessoas defendem que o araçatubense deve votar apenas em candidatos locais e não em forasteiros. Pode ter suas razões. Mas é preciso ver, também, que não basta ser eleito. É preciso ter lastro político e força partidária para conseguir benefícios. Cido Sério, tido de esquerda, foi deputado por curto período, pois abriu mão do mandato para ser prefeito. O que trouxe para a cidade como deputado? Dilador Borges, tido de direita, como suplente, também ficou bom tempo na Assembleia Legislativa. O que ele trouxe para Araçatuba, mesmo o governador sendo do mesmo grupo político? Os dois não trouxeram nada de expressivo. Já como prefeitos, ambos tiveram conquistas importantes.
Ter um bom aliado muitas vezes é mais importante
Andradina tinha ligações com o senador Auro de Moura Andrade (filho do fundador da cidade), teve dois deputados estaduais – Sinval Antunes e Antônio Morimoto e dois deputados federais – Antônio Morimoto e Orensy Rodrigues da Silva. No entanto, quem mais serviu a cidade foi Jorge Maluly Netto, que era de Mirandópolis e, posteriormente, outros parlamentares, como Roberto Rollemberg e Otacílio de Almeida (deputados federais) e Franco Baruselli (estadual), fruto da aliança com líderes locais. Em Araçatuba não foi diferente. Foram muitos deputados, mas inegavelmente o grande articulador foi Maluly Netto, que tinha força política para buscar até mesmo emendas de bancada, como recursos para canalização do Machado de Mello e o projeto de trazer água do Rio Tietê.
Emenda recorde para a Santa Casa
Os 10 candidatos a deputado federal mais votados em Araçatuba em 2022 foram:
1 – Cido Saraiva (MDB): 18448 votos (17,04%)
2 – Ricardo Salles (PL): 14918 votos (13,78%)
3 – Dr Filipe Fornari (PROGRESSISTAS): 13134 votos (12,13%)
4 – Carla Zambelli (PL): 3502 votos (3,23%)
5 – Rodrigo Andolfato (PTB): 2662 votos (2,46%)
6 – Eduardo Bolsonaro (PL): 2537 votos (2,34%)
7 – Joca Maluly Neto (PODEMOS): 2497 votos (2,31%)
8 – Guilherme Boulos (PSOL): 1869 votos (1,73%)
9 – Capitão Derrite (PL): 1804 votos (1,67%)
10 – . Jefferson Campos (PL): 1537 votos (1,42%).
Mesmo os candidatos locais, que foram bem votados e não foram eleitos, tinham compromisso com a cidade. O que fizeram? Ricardo Salles, cuja votação foi resultado da dobradinha com Lucas Zanatta, resgatou o seu compromisso, com emenda de R$15 milhões para a Santa Casa. E os demais? O que fizeram?
No plano estadual não foi diferente
Os 10 candidatos a deputado estadual mais votados foram:
1 – Deomerce Damasceno (UNIÃO BRASIL): 26805 votos (25,11%)
2 – Lucas Zanatta (PL): 21845 votos (20,46%)
3 – Dr Flavio Salatino (PROGRESSISTAS): 6636 votos (6,22%)
4 – Coronel Motooka (Republicanos): 4074 votos (3,82%)
5 – Arlindo Araújo (MDB): 3136 votos (2,94%)
6 – Professora Bebel (PT): 2504 votos (2,35%)
7 – Everton Sodario (PATRIOTAS): 1801 votos (1,69%)
8 – Eduardo Suplicy (PT): 1573 votos (1,47%)
9 – Carlos Cezar (PL): 1460 votos (1,37%)
10 – Sebastião Santos (Republicanos): 1392 votos (1,30%)
A votação de dona Deomerce Damasceno, ex-primeira-dama de Araçatuba, marcou a posição do grupo do então prefeito Dilador Borges. O grupo mostrou força, não para conquistar coisas para Araçatuba, mas pelo menos para garantir vagas no governo estadual para seus aliados. E são muitos os que estão pendurados no governo paulista. E não é difícil saber quem são. Fortalecer o grupo para que? Para defender seus interesses mesquinhos?
Lançar candidatos ou apoiar candidatos de fora
No passado, alguns partidos cobravam para ceder legenda a possíveis candidatos. Até mesmo o Prona, do “honestíssimo” Enéas Carneiro foi denunciado por exigir compra de livros para ceder legenda. Hoje, com muito dinheiro do Fundo Partidário, as legendas buscam candidatos para aumentar a votação e eleger seus caciques. Os líderes das legendas sabem que muitos destes candidatos não têm chance, mas querem mesmo assim. Não se preocupam com as cidades, querem volume de voto para eleger um ou dois candidatos.
Alianças bem intencionadas são bem-vindas
O fruto de uma aliança bem intencionada foi a feita entre Ricardo Salles e Lucas Zanatta. O primeiro é a negativa de tudo que penso da política e o segundo, o respeito muito como cidadão. Mas é necessário reconhecer que foi uma aliança limpa e republicana, que gerou benefícios para a cidade, como a emenda de valor recorde para a Santa Casa. Por outro lado, há alianças não tão republicanas, com líderes religiosos e políticos (até mesmo vereadores) que apoiam candidatos de outras cidades, mas cobram valores expressivos, muitas vezes fixando até mesmo votação mínima. Ora, o candidato que contrata o serviço de um líder local, tem pouco compromisso com a cidade. Foi um negócio e não uma aliança política. Neste caso o desonesto é quem negocia o voto do cidadão. O eleitor age de boa-fé e o pseudo líder, o ludibria. Busque na memória para quem seu líder político ou religioso pediu voto nas últimas eleições para deputado e veja o que o parlamentar mandou para a cidade. Neste aspecto, Lucas Zanatta está com a consciência tranquila. É preciso reconhecer.






