Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Operação Conexão mira esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e bloqueia R$ 2,09 bilhões em bens

Polícia Federal e Gaeco cumprem mandados em três estados; investigação aponta movimentação de cerca de R$ 2 bilhões e uso.

Operação Conexão mira esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e bloqueia R$ 2,09 bilhões em bens

Polícia Federal e Gaeco cumprem mandados em três estados; investigação aponta movimentação de cerca de R$ 2 bilhões e uso de empresas da construção civil para ocultar recursos ilícitos

DA REDAÇÃO – SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de São Paulo deflagraram, na manhã desta quarta-feira (29), a Operação Conexão Rio Preto, destinada a desarticular uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro proveniente da exploração de jogos de azar, especialmente do jogo do bicho e de vídeo bingo no Estado do Rio de Janeiro.

A operação cumpre 11 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva nos municípios de São José do Rio Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Guapimirim (RJ) e Campo Grande (MS). As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de São José do Rio Preto.

Empresas de fachada e construção civil

Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas de fachada, interpostas pessoas e operadores financeiros para ocultar e dissimular recursos obtidos com a exploração de jogos de azar no Rio de Janeiro.

As apurações indicam que um dos núcleos da organização atuava em São José do Rio Preto, utilizando empresas do ramo da construção civil para integrar ao sistema financeiro recursos de origem ilícita, conferindo aparência de legalidade ao patrimônio acumulado.

De acordo com o Ministério Público, o nome Operação Conexão faz referência justamente à ligação entre os dois polos investigados: a arrecadação do dinheiro com os jogos ilegais no Rio de Janeiro e sua lavagem por meio de operações financeiras realizadas em São José do Rio Preto.

Contas movimentaram cerca de R$ 2 bilhões

As investigações revelaram que as contas bancárias analisadas movimentaram aproximadamente R$ 2 bilhões entre créditos e débitos no período de janeiro de 2019 a março de 2026.

Segundo o Gaeco, pelo menos R$ 100 milhões foram sacados em espécie durante esse período, por meio de operações fracionadas destinadas a dificultar o rastreamento dos valores.

O esquema também utilizava máquinas de pagamento por cartão instaladas em bancas de apostas para movimentar os recursos obtidos com a exploração dos jogos de azar.

Justiça bloqueia patrimônio bilionário

Por representação da Polícia Federal, a Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados até o montante de R$ 2,09 bilhões.

As medidas cautelares atingem 18 pessoas físicas e jurídicas e incluem o sequestro de bens, bloqueio de valores em contas bancárias, indisponibilidade de criptoativos, imóveis, veículos e outros ativos financeiros identificados durante as investigações.

Crimes investigados

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, previstos nas Leis nº 9.613/1998 e nº 12.850/2013.

A operação mobilizou 88 policiais federais e quatro promotores de Justiça, responsáveis pelas investigações e pelo cumprimento das medidas judiciais.

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