SindusCon-SP apresenta balanço anual do setor e projeta cenário mais favorável para 2026
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
O SindusCon-SP realizou nesta quarta-feira (10) uma coletiva de imprensa para apresentar a análise do desempenho da construção civil em 2025 e as perspectivas econômicas para 2026. Participaram o presidente Yorki Estefan, o vice-presidente de Economia, Eduardo Zaidan, e a coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo.
Desempenho do setor em 2025
Na abertura, o presidente Yorki Estefan destacou que a análise anual reúne os principais indicadores que influenciaram o setor ao longo do ano. Ele lembrou que, apesar dos desafios, a construção civil manteve geração de empregos e contribuiu para o crescimento da indústria nacional.
Segundo Estefan, a velocidade de vendas no mercado imobiliário de médio padrão foi afetada pela dificuldade de acesso ao crédito, reforçando a relação direta do setor com o comportamento da economia e o nível de juros.
PIB da construção desacelera
A construção deve encerrar 2025 com crescimento de 1,80%, segundo estimativas do FGV Ibre com base em dados do IBGE, confirmando perda de ritmo em comparação a 2024.
Para Ana Castelo, “a construção diminuiu o ritmo e a confiança, a percepção dos negócios, ficou mais pessimista”.
Entre os indicadores de atividade:
-
O consumo de cimento cresceu 3,6% até outubro.
-
A indústria e o comércio de materiais registraram quedas de 0,7% e 0,1%, respectivamente.
-
47% da produção de materiais tem como destino direto as famílias.
Emprego mantém saldo positivo
O mercado de trabalho seguiu aquecido, com crescimento de 2,84% no emprego formal nos 12 meses até outubro.
A construção empregava mais de 3 milhões de trabalhadores no Brasil e cerca de 365 mil no estado de São Paulo.
Empresas continuam apontando entraves como escassez de mão de obra qualificada e demanda insuficiente.
Custos seguem pressionados pelo INCC-M
O INCC-M acumulou alta de 6,41% em 12 meses até novembro, impulsionado principalmente pelo aumento da mão de obra.
Entre as capitais, São Paulo teve a maior variação do ano (até novembro), com 6,91%, seguida por Porto Alegre e Recife.
Mercado imobiliário sustentado pelo MCMV
O mercado imobiliário manteve dinamismo graças às contratações do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Na cidade de São Paulo, segundo dados do Secovi-SP:
-
Lançamentos residenciais cresceram 41%.
-
As vendas aumentaram 10% no acumulado de 12 meses até outubro.
Crédito imobiliário encolhe para a classe média
O financiamento habitacional via SBPE sofreu forte retração, segundo a Abecip:
-
Queda de 48,9% na modalidade construção;
-
Redução de 7,4% em aquisição;
-
Resultado geral: –21,4% na comparação entre os dez primeiros meses de 2025 e o mesmo período de 2024.
Infraestrutura tem recorde de investimentos
O Brasil deve fechar 2025 com cerca de R$ 280 bilhões em investimentos públicos e privados em infraestrutura, alta de 3,9% sobre o ano anterior, segundo a Inter.B.
Para 2026, a Abdib projeta R$ 300 bilhões, o maior volume da série.
Apesar do aumento, sondagens da FGV apontam confiança moderadamente pessimista entre as empresas.
Expectativas para 2026
No cenário-base projetado pelo FGV/Ibre, o PIB da construção pode crescer 2,7% em 2026.
Segundo Ana Castelo, o desempenho dependerá de variáveis como conjuntura eleitoral, geopolítica, juros, situação fiscal e atividade econômica.
Entre os fatores que podem impulsionar o setor estão:
-
Queda gradual dos juros;
-
Aumento dos investimentos estaduais;
-
Novas ações do MCMV;
-
Novo modelo de financiamento habitacional;
-
Ciclo de investimentos em infraestrutura;
-
Programa Reforma Casa Brasil.






