Terminal foi fechado para reforma três meses após a inauguração; há problemas em vários setores da obra
ANTÖNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
A construção do novo terminal urbano de Araçatuba, edificado na esquina das ruas Rosa Cury e Silva Manoel, no Bairro São Joaquim, precisa ser melhor apurada pela atual administração e pela Câmara Municipal. A criação de uma comissão para investigar o que realmente aconteceu não pode ser descartada. Al[em disso, de acordo com as informações constantes do portal da transparência, o valor efetivamente pago à empresa DWJ. Engenharia e Construções esta muito abaixo do valor do valor contratado. Isso indica que nem tudo foi lançado no portal ou o município está em débito com a empresa. Soma-se a tudo isso, os graves problemas estruturais existentes na obra.
Quando a administração de Dilador Borges Damasceno anunciou a construção do novo terminal na área usada há décadas pelo Ferrinho, houve muitas reclamações por parte de usuários e desportistas, como o ex-vereador Ney Giron. Porém, ninguém foi ouvido pelo antigo governo, que levou a proposta adiante.
Após processo licitatório – concorrência pública – em agosto de 2023 foi assinado o contrato 90/2023 com a DWJ Engenharia e Construções Ltda, no valor de R$ 4.867.395,99. Posteriormente foi feito aditivo no valor de R$ 494.318,98, elevando o contrato para R$ 5.361.714,97. O prazo de construção era de 12 meses. A obra terminou em dezembro de 2024. No entanto, conforme dados disponíveis no portal da transparência, a empresa recebeu R$ 741.551,78 em 2023 (distribuído em três pagamentos) e R$ 494.318,98 em 2024 (o valor foi distribuído em cinco pagamentos, todos em outubro e novembro). Não há informações de pagamentos feitos no primeiro semestre.
PROBLEMAS
O terminal foi inaugurado no dia 23 de dezembro de 2024 e entrou em operação sete dias depois. Desde o primeiro dia foram muitas reclamações de usuários, principalmente pelos atrasos dos coletivos, que se tornaram rotina. Muita gente começou a chegar atrasada ao trabalho ou outros compromissos.
No entanto, nas primeiras semanas problemas estruturais começaram a surgir, como fissuras no piso e infiltração de água. AO piso cedeu e a roda de um ônibus ficou presa. O prefeito Lucas Zanatta esteve no local e devido aos problemas que surgiram posteriormente, decidiu fechar o terminal e voltar as operações para o antigo prédio.
Devido às constantes reclamações, no dia 27 de março (o terminal ainda operava) a reportagem do portal Nossa Cidade (nossaccidade.online) esteve no local e constatou que os problemas eram mais graves do que os relatados pelos usuários.
No pátio foi possível constatar fissuras no piso, assim como bodas de concreto esfarelando. Nas guias do terminal já existe desnível do piso de mais de dois centímetros. Motorista também relatou dificuldade para fazer manobras.
Nas paredes externas há manchas de infiltração de água e rede de esgoto entupida. Os problemas aumentam na área interna do terminal, como vazamento de água, odor fétido nos sanitários, falta de ventilação e redes entupidas. O motor do sistema de hidrante para combate a incêndios também não estava no local.
MUITO A SER APURADO
Há informações de que o projeto licitado não foi executado. Por exemplo, na foto ilustrativa distribuída pela Prefeitura quando da assinatura do contrato, os ônibus estavam estacionados a 45 graus. Como o terminal foi construído, o estacionamento é paralelo à guia. Há outras possíveis distorções entre o projeto original, o licitado e o executado. Mas isso pode ser apurado em detalhes por uma comissão da Câmara ou por fiscais da Prefeitura.
RIGOR NA FISCALIZAÇÃO
Há necessidade de apurar adequadamente como foi feita a fiscalização da obra, principalmente quanto à execução do projeto, tipo de material e especificações técnicas.










