Vazamentos recorrentes de esgoto evidenciam o comprometimento do sistema; é preciso aprofundar a fiscalização sobre o conjunto da obra
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Na madrugada do dia 27 de dezembro de 2022, surgiu um buraco na pista no prolongamento da Avenida Joaquim Pompeu de Toledo (sentido bairro-centro, próximo à Rua Peu). Várias questões foram apontadas na época. No dia 19 de dezembro de 2024, o então secretário de Planejamento Urbano, Ernesto Tadeu Consoni, em entrevista a uma emissora da cidade, disse que o problema era fácil de resolver e que a rede esgoto existente “era uma casca de ovo”. Deu a entender que essa rede de esgoto era a causa de todos os problemas registrados no intervalo de dois anos, mas que o governo de Dilador Borges Damasceno nada fez para resolver. Em janeiro de 2025, novos problemas e por fim a interdição de toda a extensão da pista, da Rua Anhanguera (marginal da Rondon) à Tupinambás. A recuperação começou em junho, mas pelo que se observa, a obra está longe de acabar.
Desde o início as suspeitas recaíram sob a rede de esgoto da GS INima Samar. Porém, também desde o início, a empresa negou qualquer responsabilidade. Agora, no entanto, firmou acordo com a administração para executar o trabalho e chegou a anunciar que cobraria os custos dos responsáveis. O trabalho começou a partir da Rua Tupinambás. Neste período já foram registrados vários vazamentos de esgoto próximo ao local das obras e muito distante de onde surgiram os primeiros problemas.
Na terça-feira a reportagem do portal Nossa Cidade (nossacidade.online) constatou desmoronamento próximo ao local da obra e também vazamento de esgoto. O vazamento se repetiu nesta quarta-feira, o que deixa claro os problemas na rede existente.
Isso não é tudo. A reportagem teve acesso a documento no qual mostra que a empresa terceirizada da Agência Daea, considerou 0,5% na composição do realinhamento de preço exatamente para remanejamento de linha de esgoto na canalização do Córrego Machadinho. Isso em 2022. Já em outro documento, equipe da Samar foi clara ao dizer que a obra não precisaria ser feita. Somente com uma auditoria, avaliando todos os documentos, assim como registros de fiscalização de obras, projetos aprovados e termos de recebimento para saber o que realmente foi feito, quem aprovou e recebeu tais obras.
PROJETOS CONFLITANTES
Outro aspecto que chamou a atenção da reportagem e que foi confirmado no local da obra, é que a rede que a Samar está implantando, em determinados pontos, conflita que a rede de galeria de águas pluviais. Isso já causou problema e até mesmo diminuição momentânea do ritmo de trabalho para se buscar a solução.
Todos estes problemas ocorrem a poucos metros da sede da Associação de Engenheiros da Alta Noroeste e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-SP), que deve fiscalizar as obras de engenharia.
ESFORÇO CONCENTRADO
Diante de tantos problemas, há necessidade de um estudo mais aprofundado pela Prefeitura e agência reguladora sobre tudo que ocorreu. São milhões de dinheiro público investidos em uma obra complexa, mas cujos problemas refletem exatamente a falta de fiscalização.








