Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Resultado das urnas mostra a importância do marqueteiro nas campanhas eleitorais

Nos últimos anos a presença de marqueteiros ou estrategistas em campanhas eleitorais no Brasil tem aumentado e até mesmo mudado.

Resultado das urnas mostra a importância do marqueteiro nas campanhas eleitorais

Nos últimos anos a presença de marqueteiros ou estrategistas em campanhas eleitorais no Brasil tem aumentado e até mesmo mudado o perfil profissional e a atuação de políticos

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

O mercado da publicidade brasileiro é referência no mundo.  Morte recente de Washington Olivetto, um dos mais premiados profissionais do setor deixa isso muito evidente diante da repercussão. Há algumas décadas, o elevado conceito da publicidade se estendeu para o campo político. Surgiram os marqueteiros, ou como se diz agora, estrategistas políticos. Estes profissionais têm sido reconhecidos como personagens importantes em campanhas vitoriosas. Hoje profissionais brasileiros já atuam no exterior.

Trabalhos de destaque nacional quando as doações para campanhas eram liberadas permitiam produções cinematográficas. Hoje, com recursos mais limitados, houve necessidade também de mudança de estratégia. O trabalho do estrategista político precisa começar bem antes até mesmo para reposicionar o perfil do candidato perante o eleitorado. Por isso, é importante que o candidato tenha bem claro qual o seu projeto político.

Alguns nomes surgiram no cenário nacional, como Duda Mendonça (falecido), marqueteiro de Luiz Inácio Lula da Silva nos anos 2000; João Santana, que atuou para o PT e Dilma Rousseff; Marcelo Vitorino, da nova geração, que atua para diferentes partidos em diversos estados brasileiros; Sidônio Palmeira, que atuou com Lula em 2022 e Duda Lima, que atuou para Bolsonaro na campanha da reeleição em 2022. Há outros nomes, como Gaudêncio Torquato e Carlos Manhanelli (falecido), Chico Santa Rita (falecido) e etc.

Em Araçatuba, Peter Abreu atua há muitos anos na área. Hoje é consultor ou estrategista político com atuação em dezenas de cidades em diferentes estados brasileiros e atuou fortemente na campanha deste ano, com excelentes resultados.

Em entrevista exclusiva ao portal Nossa Cidade (nossacidade.online), Peter Abreu fali sobre a profissão, os desafios enfrentados e como trabalhar com tantos candidatos com perfis diferentes.

Nossa Cidade – O número de consultores políticos vem aumentando nas últimas décadas, surgindo vários nomes de destaque no cenário nacional. Em alguns casos os marqueteiros se tornaram figuras centrais nas campanhas. Ao que você atribui este crescimento na profissão/atividade?

Peter Abreu – O aumento do número de profissionais na área é resultado de campanhas eleitorais de sucesso quando implementaram o marketing, principalmente o marketing adaptado à área política. São estratégias de comunicação e de marketing que são utilizadas com foco em entender o comportamento do eleitor. A partir daí o profissional pode criar estratégias que possa atender não apenas às necessidades, mas também o desejo destes eleitores. Nós começamos a verificar que as campanhas mais profissionalizados começaram a ter mais êxito. Não que as outras não tenham. Há candidatos que independem do marketing e conseguem ter sucesso por si só.

Eu costumo dizer que se o marketing b=não tiver um produto ou seja, um candidato que reúna as qualidades necessárias para que o eleitor possa transformá-lo em um vitorioso, também não vai resolver. Sempre digo que o marketing ajuda, ele potencializa, mas ele não é tudo. Há profissionais que julgam vitoriosos na campanha. Se venceu foi por sua participação, se perdeu, foi porque o candidato não o ouviu. Na realidade, a vitória se dá pelo candidato. O papel do marketing no processo é que pode facilitar este caminho e principalmente fazer com que ele, quando utilizado com inteligência pelo candidato, tenha essa vantagem competitiva de forma até mais econômica, pois a experiência, faz com que você evite gastos desnecessários com ações que não trarão nenhum tipo de retorno para o candidato.

Nossa Cidade – Como você se sente tendo participado de campanhas com mais de 80% da votação válida no município, inclusive no líder do estado, que foi de Lins?

Peter Abreu – A nossa participação não é tão efetiva assim. Depende muito do candidato. Em Lins, quando a gente começou a fazer as avaliações, você já via um candidato extremamente preparado. Tanto é que ele foi eleito na primeira disputa em 2020 já cm uma vantagem competitiva muito elevada. Isso tudo só foi a continuidade e a evidência de um trabalho cuja promessa já tinha sido feita na primeira eleição dele e apenas foi dada continuidade. Ou seja, identificando as necessidades e desejos dos eleitores e transformando tudo isso em ações que pudessem atender a estas necessidades e desejos. Não apenas durante a campanha eleitoral, mas durante todo o governo dele.

Eu me sinto extremamente honrado. Eu falei para todos eles e não apenas estes que tiveram mais de 80% dos votos. E até os que não tiveram êxito. Eu que me senti honrado por ter tido a oportunidade de trabalhar com candidatos tão capacitados. Volto a falar. A gente apenas leva para estes candidatos as ações, as estratégias e um pouco do conhecimento que adquirimos durante estes anos de experiência. Ele é que decidem se aquilo vai ou não ser implantado. Lógico, quem acaba utilizando com mais ênfase, acaba tendo um pouco mais de sorte, mas a gente também erra muito. Tivemos índice de acerto em 141 cidades que trabalhamos e erramos em nove. Isso faz parte do processo político.

Nossa Cidade – A classe política está mais aberta ao trabalho dos consultores?

Peter Abreu – A classe política está mais aberta aos consultores. A gente percebe isso na maioria das campanhas. Entretanto, nós estamos falando de uma classe muito vaidosa. Grande parte dos políticos, vem com a questão da vaidade muito enraizada dentro de si. Eu tive vários clientes que pediram trabalho e quando a gente mostrava a verdade, a coisa não está bem, você tem que mudar, você corre o risco de perder. O eleitor não está conseguindo entender este discurso que você está colocando. Isso que você está fazendo não vem ao encontro do desejo da maioria da população. O candidato, ao invés e entender aquilo como alerta construtivo, para correção de rumo para atingir meus objetivos, em muitos casos é mais fácil para ele falar o seguinte: olha, é você que está errado, a pesquisa está errada, o meu trabalho está certo. E aí não faz aas ações que devem ser feitas ou o dever de casa. A consequência disso, na maioria dos casos, acabou sendo o fatídico desfecho da derrota.

Nossa Cidade – Como é trabalhar com candidatos com perfis políticos diferentes e até mesmo fora do mesmo arco ideológico

Peter Abreu – Depois de 32 anos de atuação, a nossa base é passar para o candidato o que o eleitor pensa e não o que o candidato pensa.  Costumo dizer que em cada campanha a gente também tem que entender o posicionamento e o perfil do candidato. Eu não posso chegar em um candidato, podendo citar como exemplo o Lucas Zanatta, e achar que do dia para a noite vai poder começar aa criticar o Bolsonaro ou falar mal de ações que têm diretamente a ver com a direita ou com o liberalismo. Isso não vão colar. Vai soar politiqueiro e vai fazer com que a imagem dele seja mal vista.

O que eu recomento para todos, antes de começar a campanha, é que procure um jornalista, alguém do meio de comunicação, que faça um media training, um curso de oratória, mas que não se mexa muito no perfil original do candidato. Que faça alguns ajustes, sem mexer na essência. Porque se você mexer na essência, vai ficar muito claro que é um candidato produzido pela mídia para enganar o eleitor. Não é isso que o eleitor espera.

Quando você vê alguém de esquerda ou de direita, o eleitor sabe que o candidato tem aquele posicionamento. A gente fazer alguns ajustes. Já participei de mais de 750 campanhas na minha carreira. Os candidatos que tentaram fugir ou vestir uma imagem diferente daquilo que fazia parte da essência deles, na maioria dos casos foram desmascarados.

Eu recomendo para eles que possam enaltecer tudo aquilo de bom e de positivo dentro do perfil ideológico ao qual eles estão inseridos. Nós temos coisas boas na direita, nós temos coisas boas na esquerda, assim como temos coisas ruins na direita e ruins na esquerda. Então vamos potencializar o que tem de bom. Vamos tentar minimizar as coisas ruins para que a gente precisa chegar a um ponto de equilíbrio. Basicamente é isso que nós temos de fazer.

É um desafio muito grande isso, mas faz parte do processo e graças a Deus nós tivemos candidatos que foram eleitos na região e muito bem votados, inclusive, da esquerda. Em Promissão, o prefeito Hamilton Foz (PP), foi eleito em 2012 pelo PT. Em Santo Antônio do Aracanguá, Luiz Carlos dos Reis Nonato, o Luizão, do Podemos, governou a cidade por oito anos pelo PT. Em Coroados, o prefeito eleito Chéco, hoje no PDT, teve apoio do PT, PV e PC do B. Em várias cidades você tem também a volta de políticos com perfis de esquerda, com perfis de direita. Agora fica evidente, a direita teve uma grande vantagem competitiva, principalmente no interior de São Paulo, nas eleições deste ano. Assim como também a esquerda teve uma vantagem competitiva em cidades o Nordeste.  Isso faz parte do processo político, mostrando inclusive a predileção do eleitorado em todos os estados.

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