Audiência na Câmara discutiu falta de cuidadores, Fundeb, inclusão escolar e contratos da Educação; fala sobre renovação automática de empresa terceirizada gerou reação de famílias
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
A última sessão ordinária da Câmara Municipal de Araçatuba antes do recesso parlamentar foi marcada por cobranças, questionamentos e manifestações que evidenciaram a distância entre os números apresentados pela Secretaria Municipal de Educação e a realidade relatada por parte das famílias atendidas pela rede pública.
Convocada pelos vereadores para prestar esclarecimentos, a secretária municipal de Educação, Ana Paula Braga, foi sabatinada durante a 22ª sessão ordinária. Embora tenha apresentado dados sobre investimentos e ações desenvolvidas pela pasta, o debate acabou dominado por temas como a falta de acompanhantes escolares, a aplicação dos recursos do Fundeb, a inclusão de alunos com deficiência e a contratação de serviços.
Secretária admite problemas e anuncia mudanças
Em sua apresentação, Ana Paula Braga reconheceu que o Plano Municipal de Educação está desatualizado e informou que a Prefeitura pretende alterar a forma de distribuição de uniformes, materiais escolares e calçados, encerrando a chamada “entrega simbólica” realizada nos primeiros meses do ano.
Durante a sabatina, vereadores de diferentes partidos fizeram perguntas sobre a demora na contratação de profissionais, a saúde mental dos professores, a climatização de salas de ensino especial, o transporte escolar, a fiscalização da merenda e a utilização dos recursos do Fundeb.
Entre os assuntos que mais chamaram atenção esteve a existência de uma eventual sobra de aproximadamente R$ 10 milhões do Fundeb, enquanto escolas enfrentam dificuldades para atender demandas consideradas básicas.
Também foi alvo de questionamentos a contratação de um educador físico para ministrar palestra sobre autismo ao custo de R$ 7 mil, valor considerado adequado pela secretária.
Mãe de três crianças com autismo contesta versão da Prefeitura
Se dentro do plenário os vereadores fizeram cobranças, do lado de fora a reação também foi imediata.
A moradora Yasmin Custódio Couto, mãe de filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), afirmou que a realidade enfrentada pelas famílias é diferente da apresentada durante a audiência.
Segundo ela, uma das declarações que mais causou preocupação foi a informação de que o contrato com a empresa responsável pelos acompanhantes escolares deverá ser renovado automaticamente, sem a realização de nova licitação.
A mãe defende que a Prefeitura promova uma audiência pública exclusiva com pais e responsáveis por alunos com deficiência para que possam relatar diretamente aos gestores as dificuldades enfrentadas diariamente nas escolas.
Para Yasmin, os gráficos e indicadores apresentados durante a prestação de contas não retratam a realidade vivida pelas famílias. Os filhos, de 7, 5 e 3 anos, com níveis e habilidades diferentes, precisam de atenção especial, principalmente a filha de 3 anos.
Ela também criticou a presença de diversos ocupantes de cargos comissionados no plenário, afirmando que a situação teria prejudicado o andamento da sessão.
Damião Brito anuncia pedido das imagens da sessão
As críticas sobre a condução da audiência também chegaram ao plenário.
O vereador Damião Brito (Rede) afirmou que solicitará as imagens da sessão para verificar se houve qualquer comportamento que possa ter comprometido os trabalhos legislativos durante a convocação da secretária.
Segundo o parlamentar, o objetivo é analisar os fatos e esclarecer eventuais interferências ocorridas durante a sabatina.
“Como vereador, continuarei ouvindo a população, fiscalizando os atos da administração e defendendo uma educação de qualidade, com transparência, respeito às famílias e inclusão de verdade”, declarou.
Debate evidencia desafios da inclusão
A audiência terminou sem grandes confrontos entre os parlamentares e a secretária, mas deixou evidente que a inclusão escolar e a oferta de profissionais de apoio continuam entre os maiores desafios da educação municipal.
Enquanto a administração apresenta indicadores e projetos para a rede, famílias de alunos com deficiência seguem cobrando soluções práticas para problemas que, segundo elas, ainda fazem parte da rotina nas escolas de Araçatuba.






