Primeiro capítulo da série Panorama do Trabalho no Brasil mostra que, embora a remuneração ainda seja a principal porta de entrada para um emprego, fatores ligados à qualidade da relação com o trabalho ganham peso nas decisões dos profissionais
Motivação para aceitar um emprego: salário lidera (33,1%), seguido por equilíbrio entre vida pessoal e profissional (16,2%) e estabilidade/plano de carreira (11,2%)
Evolução do peso do salário: a remuneração ganhou relevância como critério de escolha, passando de 31,1% em 2023 para 33,1% em 2025
Diferenças geracionais: salário pesa mais para Millennials (36,6%) e Geração Z (35,3%); estabilidade e plano de carreira ganham relevância entre Baby Boomers (12,5%) e Geração X (10,9%)
Fatores inegociáveis para aceitar uma vaga: benefícios estruturais (44,1%), equilíbrio entre vida pessoal e profissional (30,5%) e estabilidade/plano de carreira (26,9%)
Benefícios como pré-requisito: quase metade da Geração Z (47,4%) e dos Millennials (46,1%) não aceitaria uma vaga sem benefícios como plano de saúde e vales
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
O salário continua sendo o principal fator que atrai profissionais para um novo emprego no Brasil, mas não é suficiente para garantir que eles permaneçam na empresa. É o que mostra o primeiro capítulo da série Panorama do Trabalho no Brasil, levantamento realizado pela Serasa Experian com 1.521 profissionais de diferentes gerações e regiões do país.
Segundo o estudo, 33,1% dos entrevistados apontam a remuneração como principal critério para aceitar um novo emprego. No entanto, quando o assunto é permanência no trabalho, fatores ligados à qualidade da experiência profissional ganham mais peso.
Entre eles, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional aparece como prioridade para 16,2% dos participantes, seguido por estabilidade e plano de carreira, citados por 11,2%.
O levantamento também indica uma mudança recente: o peso do salário como fator de escolha aumentou nos últimos dois anos, passando de 31,1% em 2023 para 33,1% em 2025. Já critérios como estabilidade e plano de carreira perderam relevância no mesmo período, caindo de 15,3% para 11,2%.
Experiência no trabalho influencia permanência
Para Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, os dados mostram uma transformação na relação entre profissionais e empresas.
“O salário continua sendo a principal porta de entrada, mas ele não sustenta sozinho uma relação de longo prazo. O profissional entra pelo pacote financeiro, mas avalia sua permanência a partir da experiência real que a empresa oferece no dia a dia, como equilíbrio, previsibilidade e coerência entre discurso e prática”, afirma.
Diferenças entre gerações
O estudo também aponta que as prioridades variam conforme a geração dos profissionais.
O peso do salário é mais forte entre os Millennials (Geração Y), com 36,6%, seguido pela Geração Z, com 35,3%, e pela Geração X, com 31,2%. Entre os Baby Boomers, apenas 21,3% indicam a remuneração como principal fator.
Já estabilidade e plano de carreira ganham mais importância entre profissionais mais experientes. O critério é citado por 12,5% dos Baby Boomers e 10,9% da Geração X.
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional aparece como preocupação comum entre todas as gerações, ainda que com intensidades diferentes.
Segundo Fernanda, essas diferenças refletem os diferentes momentos de vida dos profissionais.
“Enquanto os mais jovens tendem a valorizar mais a remuneração no curto prazo, profissionais mais experientes buscam previsibilidade e construção de carreira. Para as empresas, entender essas diferenças é fundamental para criar estratégias de atração e retenção mais eficazes”, explica.

O que é inegociável ao aceitar uma vaga
Quando o assunto é aceitar uma proposta de trabalho, o levantamento também identificou critérios considerados indispensáveis pelos profissionais.
Para 44,1% dos entrevistados, benefícios estruturais — como plano de saúde e vales — são essenciais. Outros 30,5% afirmam que não aceitariam uma vaga sem práticas que garantam equilíbrio entre vida pessoal e profissional, enquanto 26,9% apontam a falta de estabilidade e plano de carreira como impeditivo.
Entre os profissionais da Geração Z, 47,4% não aceitariam um emprego sem benefícios, percentual semelhante ao registrado entre os Millennials (46,1%). Na Geração X, o índice é de 41,7%, enquanto entre os Baby Boomers chega a 39%.
“Benefícios e condições estruturais deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos. Quando esses elementos não estão garantidos, a relação já começa fragilizada”, afirma Fernanda.

Sobre o estudo
A série Panorama do Trabalho no Brasil reúne capítulos temáticos baseados em pesquisas conduzidas pela Serasa Experian para analisar as transformações na relação entre profissionais e empresas.
O levantamento deste capítulo foi realizado entre novembro e dezembro de 2025, com 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego em diferentes regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de 3%.







