Hospital passa a integrar grupo restrito no Brasil autorizado a aplicar polilaminina, substância experimental usada em casos graves de paraplegia e tetraparesia
A Santa Casa de Araçatuba entra para um seleto grupo de hospitais brasileiros habilitados a realizar um procedimento inovador no tratamento de lesões da medula espinhal. A instituição aplicará pela primeira vez na região, a polilaminina — substância ainda em fase experimental que pode representar uma nova esperança para pacientes com paraplegia. O procedimento está marcado. para esta segunda-feira (20).
O procedimento será realizado em um paciente de 50 anos, morador de Clementina (SP), tornando-se o 60º caso de uso compassivo no país.
Tratamento experimental autorizado
A aplicação da polilaminina ocorre em caráter excepcional, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, dentro das regras de uso compassivo — quando pacientes em estado grave, sem alternativas eficazes, podem ter acesso a terapias inovadoras ainda em estudo.
A substância atua diretamente no ambiente da lesão medular, com potencial de reduzir inflamações e favorecer a regeneração de conexões neurais, um dos maiores desafios da medicina.
Caso de alta complexidade
O paciente sofreu um grave acidente automobilístico em Birigui (SP), no início do ano, e desenvolveu uma lesão cervical severa, com comprometimento neurológico significativo.
Após atendimento inicial, ele foi transferido para Araçatuba por meio do sistema público de regulação, devido à gravidade do quadro. Diante da limitação de tratamentos convencionais, a equipe médica indicou o procedimento experimental como alternativa.
Avanço na medicina regenerativa
A realização do procedimento na Santa Casa de Araçatuba reforça o papel da instituição como referência regional em média e alta complexidade, com capacidade técnica, estrutura assistencial e governança administrativa e clínica compatíveis com protocolos avançados de pesquisa e inovação em saúde.
“Quando a gente fala em inovação, às vezes parece algo distante. Mas, na prática, ela chega na forma de uma decisão muito concreta: oferecer a um paciente que já esgotou as alternativas a possibilidade de tentar algo novo, com responsabilidade. Este é um caso difícil, como tantos outros que passam por aqui todos os dias. A diferença é que, neste, conseguimos abrir uma porta que raramente está disponível. Não há promessa de resultado, mas há compromisso com o cuidado, com a ciência e, principalmente, com a dignidade de quem está enfrentando uma condição tão severa”, esclarece o Dr. Everton Santos, provedor da Santa Casa de Araçatuba.
De acordo com o protocolo, a aplicação será realizada em ambiente hospitalar, com suporte integral da equipe especializada, garantindo condições rigorosas de segurança assistencial e monitoramento clínico contínuo.
Segundo o Dr. Eliel de Souza Leite, pesquisador e integrante da equipe, “a lesão medular impõe um dos cenários mais desafiadores da medicina, justamente porque o sistema nervoso central tem capacidade muito limitada de regeneração. O que buscamos com a polilaminina é intervir nesse contexto de forma mais sofisticada, atuando sobre o microambiente da lesão, especialmente na modulação da inflamação, na redução de barreiras à regeneração e na tentativa de restabelecer condições biológicas que favoreçam o crescimento axonal e a reorganização das conexões neurais”.
Ele ainda esclarece “o nosso compromisso é conduzir esse tipo de abordagem com responsabilidade científica e ética, oferecendo ao paciente não uma promessa, mas uma oportunidade real de acesso a uma linha de tratamento que, embora ainda em desenvolvimento, representa um avanço relevante no campo das terapias regenerativas”.
Após o procedimento, o paciente permanecerá internado na Santa Casa de Araçatuba, sob acompanhamento da equipe do Serviço de Neurocirurgia, recebendo todos os cuidados necessários à sua recuperação, conforme os protocolos clínicos estabelecidos.






