Tecnologia identifica alterações na qualidade da água, monitora proliferação de algas e gera alertas para reforçar a fiscalização ambiental no Estado de São Paulo
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
O Governo de São Paulo passou a utilizar satélites e inteligência artificial para monitorar aproximadamente 1 mil quilômetros dos rios Tietê e Pinheiros, ampliando a fiscalização da qualidade da água e fortalecendo as ações do programa IntegraTietê.
O sistema acompanha o Rio Tietê desde Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, até sua foz, em Itapura, no extremo oeste paulista, abrangendo os reservatórios de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos. O monitoramento abrange, também, o Rio Pinheiros.
Segundo o governo estadual, a tecnologia permite acompanhar simultaneamente grandes extensões dos rios, identificar alterações ambientais e emitir alertas automáticos para orientar as equipes técnicas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Como funciona o monitoramento
As imagens de satélite analisam áreas de aproximadamente três metros por três metros da superfície da água.
Por meio da luz refletida e absorvida, o sistema consegue identificar variações na concentração de matéria orgânica dissolvida, normalmente associada ao lançamento de esgoto.
De forma simplificada, o processo funciona como a comparação entre um copo de água limpa e outro com café dissolvido: mesmo sem visualizar exatamente os elementos presentes, é possível perceber alterações nas características da água.
Além disso, a tecnologia monitora a proliferação de algas e cianobactérias responsáveis pela formação da chamada “nata verde”, fenômeno observado em alguns reservatórios do Médio e Baixo Tietê.
Inteligência artificial gera alertas
As informações coletadas pelos satélites são processadas por sistemas de inteligência artificial e reunidas em um painel utilizado pela Cetesb.
A plataforma cruza os dados das imagens com informações obtidas pela rede de monitoramento da companhia, estações de tratamento de esgoto, empreendimentos licenciados e áreas já fiscalizadas.
Os resultados são apresentados em mapas geoespaciais, que classificam os trechos dos rios conforme o nível de concentração de matéria orgânica, variando de baixo a muito alto.
Quando o sistema identifica alterações significativas, um alerta é emitido para que equipes técnicas realizem inspeções em campo. Em algumas situações, drones também poderão ser utilizados para verificar os locais apontados pelo monitoramento remoto.
Fiscalização mais eficiente
A implantação da tecnologia faz parte do processo de modernização da fiscalização ambiental desenvolvido pelo Governo de São Paulo.
Desde 2023, mais de R$ 43 milhões foram investidos na ampliação das ações de monitoramento e fiscalização.
No período, a Cetesb registrou mais de 19,4 mil infrações ambientais e aplicou aproximadamente 7 mil multas em todo o estado.
A expectativa é intensificar as inspeções em empreendimentos com potencial poluidor, alcançando cerca de 200 vistorias mensais.
Penalidades mais rigorosas
Além da modernização tecnológica, o Estado também atualizou as regras de penalização ambiental após cerca de duas décadas sem mudanças estruturais.
As novas normas endureceram as punições para infrações ambientais, prevendo multas que podem ultrapassar R$ 10 milhões, dependendo da gravidade da ocorrência.
Também foram ampliadas as penalidades para empreendimentos que operam sem licença ambiental e para casos de lançamento irregular de efluentes. O cálculo das multas passou a considerar fatores como o volume de poluentes despejados e a eficiência dos sistemas de tratamento, permitindo a aplicação de sanções significativamente maiores em situações de maior impacto ambiental.






