Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Satélites e inteligência artificial passam a monitorar mil quilômetros dos rios Tietê e Pinheiros

Tecnologia identifica alterações na qualidade da água, monitora proliferação de algas e gera alertas para reforçar a fiscalização ambiental no.

Satélites e inteligência artificial passam a monitorar mil quilômetros dos rios Tietê e Pinheiros

Tecnologia identifica alterações na qualidade da água, monitora proliferação de algas e gera alertas para reforçar a fiscalização ambiental no Estado de São Paulo

DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

O Governo de São Paulo passou a utilizar satélites e inteligência artificial para monitorar aproximadamente 1 mil quilômetros dos rios Tietê e Pinheiros, ampliando a fiscalização da qualidade da água e fortalecendo as ações do programa IntegraTietê.

O sistema acompanha o Rio Tietê desde Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, até sua foz, em Itapura, no extremo oeste paulista, abrangendo os reservatórios de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos. O monitoramento abrange, também, o Rio Pinheiros.

Segundo o governo estadual, a tecnologia permite acompanhar simultaneamente grandes extensões dos rios, identificar alterações ambientais e emitir alertas automáticos para orientar as equipes técnicas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Como funciona o monitoramento

As imagens de satélite analisam áreas de aproximadamente três metros por três metros da superfície da água.

Por meio da luz refletida e absorvida, o sistema consegue identificar variações na concentração de matéria orgânica dissolvida, normalmente associada ao lançamento de esgoto.

De forma simplificada, o processo funciona como a comparação entre um copo de água limpa e outro com café dissolvido: mesmo sem visualizar exatamente os elementos presentes, é possível perceber alterações nas características da água.

Além disso, a tecnologia monitora a proliferação de algas e cianobactérias responsáveis pela formação da chamada “nata verde”, fenômeno observado em alguns reservatórios do Médio e Baixo Tietê.

Inteligência artificial gera alertas

As informações coletadas pelos satélites são processadas por sistemas de inteligência artificial e reunidas em um painel utilizado pela Cetesb.

A plataforma cruza os dados das imagens com informações obtidas pela rede de monitoramento da companhia, estações de tratamento de esgoto, empreendimentos licenciados e áreas já fiscalizadas.

Os resultados são apresentados em mapas geoespaciais, que classificam os trechos dos rios conforme o nível de concentração de matéria orgânica, variando de baixo a muito alto.

Quando o sistema identifica alterações significativas, um alerta é emitido para que equipes técnicas realizem inspeções em campo. Em algumas situações, drones também poderão ser utilizados para verificar os locais apontados pelo monitoramento remoto.

Fiscalização mais eficiente

A implantação da tecnologia faz parte do processo de modernização da fiscalização ambiental desenvolvido pelo Governo de São Paulo.

Desde 2023, mais de R$ 43 milhões foram investidos na ampliação das ações de monitoramento e fiscalização.

No período, a Cetesb registrou mais de 19,4 mil infrações ambientais e aplicou aproximadamente 7 mil multas em todo o estado.

A expectativa é intensificar as inspeções em empreendimentos com potencial poluidor, alcançando cerca de 200 vistorias mensais.

Penalidades mais rigorosas

Além da modernização tecnológica, o Estado também atualizou as regras de penalização ambiental após cerca de duas décadas sem mudanças estruturais.

As novas normas endureceram as punições para infrações ambientais, prevendo multas que podem ultrapassar R$ 10 milhões, dependendo da gravidade da ocorrência.

Também foram ampliadas as penalidades para empreendimentos que operam sem licença ambiental e para casos de lançamento irregular de efluentes. O cálculo das multas passou a considerar fatores como o volume de poluentes despejados e a eficiência dos sistemas de tratamento, permitindo a aplicação de sanções significativamente maiores em situações de maior impacto ambiental.

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