Com vários empreendimentos e ações estrategicamente planejados, o Sesc promove verdadeira revolução socioeconömica e ambiental em extensa região, beneficiando a mudando a vida de milhares de famílias, projetando um futuro diferente
ANTÔNIO CRISPIM – POCONÉ
A Copa do Mundo de 1970, no México, quando o Brasil conquistou o tricampeonato mundial, foi a primeira transmitida ao vivo no país. Mas isso apenas para uma parcela da sociedade. Comunidades às margens do Rio Cuiabá em Poconé e Barão de Melgaço e outras localidades, só passaram a ter energia a partir de 2006. Porém, ainda hoje há ribeirinhos isolados, sem energia e sem internet. Obviamente, sem qualquer serviço de saneamento básico e outros serviços públicos. A realidade de milhares de famílias começou a mudar a partir de 1996,quando o Sesc fincou raízes na região com um plano ousado de promover mudanças estruturais. E conseguiu. Quem visitou a região antes da década de 1990 e volta agora, até parece que está em outro local. As mudanças positivas são visíveis e a população não esconde a importância do Sesc para que isso ocorresse.
VEJA TAMBÉM: https://nossacidade.online/misterio-da-natureza-antas-resgatadas-em-incendio-historico-e-acidente-reproduzem-em-cativeiro/
“O Sesc Pantanal é um dos maiores projetos socioambientais do Brasil. Desde 1996, atuamos na proteção do Pantanal e no cuidado com as pessoas, no coração de uma das maiores áreas úmidas do planeta, essencial para o equilíbrio ambiental e para a oferta de serviços ecossistêmicos que beneficiam o mundo todo”, diz texto do portal da instituição.
O Polo Socioambiental Sesc Pantanal é composto por nove unidades integradas, que incluem reservas naturais, hotel, parques e base administrativa, focadas na conservação e turismo sustentável no Mato Grosso. As unidades são:
– RPPN Sesc Pantanal: a maior Reserva Particular do Patrimönio Natural do Brasil, com 108 mil hectares;
– Hotel Sesc Porto Cercado – estrutura de turismo sustentável;
– Parque Sesc Baía das Pedras – área de conservação e pesquisa;
– Parque Sesc Serra Azul – foco em preservação de nascentes e área de preservação do cerrado (Rosário Oeste)
– Sesc Poconé – unidade de cultura, educação e lazer;
-Polo de Pesquisa e Extensão – estrutura dedicada à produção de conhecimento científico;
– Complexo Educacional Sesc Pantanal – educação e pesquisa na região;
– Recanto – área complementar de vivência e
– Base Administrativa/Operacional- base de logística em Várzea Grande
O polo atua na proteção de mais de 117 mil hectares no Pantanal e Cerrado.
VEJA TAMBÉM: https://nossacidade.online/turismo-do-sesc-vai-alem-de-lazer-e-recreacao-e-proporciona-imersao-na-cultura-e-riquezas-dos-locais-visitados/
Criação do polo foi em 1996, após a ECO 92
O Polo Socioambiental Sesc Pantanal foi criado em 1996 pelo Departamento Nacional do Sesc, após a Eco-92, com o propósito de desenvolver um projeto inovador de conservação. Sua atuação está baseada em eixos como educação ambiental, conservação da natureza, ecoturismo, pesquisa científica e assistência, desenvolvidos no Pantanal e no Cerrado de Mato Grosso por meio de nove unidades integradas. Desde então, a instituição fortalece iniciativas que conectam o cuidado com o meio ambiente e o bem-estar das pessoas, atuando da educação formal à geração de renda em comunidades, da produção de conhecimento científico ao turismo sustentável”, o texto do portal do Sesc Pantanal sobre a história da presença na região
Ao longo do tempo, o Sesc avançou em suas iniciativas, desenvolvendo ações de conscientização preservacionista e de melhoria de vida da população. Guias e funcionários do Hotel Sesc Porto Cercado não escondem o orgulho e a gratidão de trabalharem no local. Reconhecem o impacto positivo da unidade em suas vidas.
Abrir as portas para a ciência e pesquisa
Em suas unidades, o Sesc Pantanal abre as portas para a pesquisa e a ciência.Instituições como universidades federais, Universidade de São Paulo (USP e até mesmo instituições internacionais participam de estudos e pesquisas, principalmente na RPPN e na área de cerrado para entender os biomas e desenvolver ações para preservar.
Guias locais que atuam junto ao Sesc transmitem informações aos turistas e revelam conhecimento científico, o que revela preocupação do Sesc Pantanal em atualizar e capacitar seus colaboradores e parceiros, envolvendo-os em todo este processo. Estes guias acabam se tornando o veículo mais direto de informações técnicas e científicas aos turistas e à própria comunidade à qual estão inseridos.
Sesc Pantanal valoriza as comunidades as comunidades e seus moradores
Na região de Poconé e Barão de Melgaço, é marcante a presença do Sesc em diferentes áreas. Na formação da RPPN foram adquiridas várias fazendas, que posteriormente foram desconstruídas, mantendo apenas as sedes para postos de observação e apoio e centros de pesquisa.
Com a desconstrução das fazendas, muitas pessoas perderam o emprego, mas o que seria um grave problema social, transformou-se em oportunidade de vida. Muitos passaram por treinamentos e assumiram outras funções dentro da unidade, principalmente como guarda-parque. O Sesc se encarregou de capacitar esses novos trabalhadores, que mudaram de vida.
Cada um tornou-se personagem da sua vida

Benedito Alves da Silva, o Dito Verde, é uma destas pessoas. Durante anos foi o único morador permanente da RPPN. Hoje, com idade avançada e aposentado, está residindo em Poconé, mas mantém o vínculo com o Sesc e faz questão de receber pessoalmente os turistas na visita à Casa do Pantaneiro. Dito Verde verde hoje não é mais apenas um pantaneiro comprometido com as coisas e causos do pantanal. Transformou-se em um personagem, o qual incorpora muito bem e desempenha o papel com maestria e simpatia.
Ele conta que tem 79 anos e 13 filhos. Casou-se muito jovem e teve de fazer um aterro para proteger a casa das enchentes. Teve também de construir a casa com as próprias mãos para se casar.
Como bom pantaneiro raiz, Dito Verde fez a sua própria viola de cocho, usando cordas de tripa de macaco ou de ouriço e cola de piranha (feita do intestino do peixe). Hoje, usa cordas de nylon, Com a viola compunha as músicas – cururu – expressando o seu sentimento no momento. O cururu era só para homens. Posteriormente veio o siriri, para mulheres. Na sua apresentação ao grupo de turistas de Bauru e Araraquara, Dito Verde, com a viola, foi acompanhado pela gerente-geral do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália Rodrigues Pimentel Neves, que tocou um instrumento semelhante ao reco-reco, que os pantaneiros conhecem como ganzá e há registros também de güiro. Outras pessoas se arriscaram no instrumento, como o guia Jenilson Freire e a turista Terezinha de Lima.
O guia Geanderson Martins Rondon, 37 anos, é outro personagem com a

vida impactada pelo Sesc. Natural da região, desde a infância já navegava pelo Rio Cuiabá. Na fase adulta, foi trabalhar em fazendas, como inseminador. Porém,o Sesc mudou a sua vida. Hoje é um dos mais reconhecidos monitores ambientais e profundo conhecedor do pantanal.
Com a família, Geanderson também revelou o seu lado empreendedor. Tem a Agromel, iniciativa que visa produzir e comercializar mel de abelhas silvestres. Como apicultor, ele destaca a importância da preservação ambiental para o equilíbrio de todo o ecossistema.

Durante muitos anos o Edson Luiz Mendes de Moraes Arruda, 37 anos, trabalhou em fazendas levando gado de um local para outro. No período das cheias, o rebanho tinha de ser levado para os pontos mais altos e depois levado de volta para a parte mais baixa. Ele contou que chegava a ficar até 40 dias longe de casa. Isso comprometia a convivência com a família.
A sua vida começou a mudar quando participou de uma seleção no Sesc como auxiliar geral. Como conhecia bastante a região, acabou participando de avaliações do Sesc e de qualificação. Foi assim que chegou a monitor ambiental. Hoje ele acompanha grupos de turistas em passeios pelo Rio Cuiabá. Sua visão apurada, como de outros monitores, consegue identificar um animal ou ave a muitos metros de distância entre a vegetação.
O monitor ambiental Antônio Coelho, conhecido como “Bicho do Mato”,

é de uma comunidade cuja cidade mais perto com acesso era Cuiabá, a 180 quilômetros. Nesta comunidade a energia chegou apenas em 2008, Por isso, as crianças tinham dificuldades para estudar. Antônio Coelho superou todos os obstáculos e ingressou no Sesc como guarda-parque, atuando na RPPN.
Jovem e muito interessado, ele fazia a segurança de grupos de cientistas que entravam na mata para pesquisas. Tinha apenas conhecimento empírico. No entanto, a sede de saber e o convívio com cientistas o levaram a adquirir conhecimento extraordinário. Ele cita com naturalidade o nome popular de aves, peixes, animais e plantas, assim como o nome científico. E vai além, citando a estratégia de cada animal para sobreviver. Em um passeio noturno, cita as constelações, revelando conhecimento de astronomia e astrofísica.
Como outros monitores, Antônio Coelho enaltece a presença do Sesc na região, não apenas com a importância para a preservação, mas como as ações impactaram positivamente a vida de milhares de famílias, permitindo que cada um possa projetar um futuro mais promissor.
O monitor ambiental José Carlos Teixeira, que é da região de Cáceres, atua no Centro de Interpretação Ambiental, dentro do Hotel Sesc Porto Cercado. Formado em Filosofia e já tendo se aventurado no jornalismo, é um estudioso do bioma pantanal e já colaborou com muitas pesquisas e até mesmo na elaboração de legislação que visa preservar mananciais e as nascentes.
Teixeira destaca o trabalho realizado pelo Sesc na região de Poconé e no cerrado. Não esconde a vontade da instituição estender suas ações até a região de Cáceres.
O Centro de Interpretação Ambiental é um complexo com amplas salas simulando os biomas pantanal e cerrado, de onde vem a água que inunda as planícies pantaneiras. Tudo mostra a importância da preservação do cerrado e da região montanhosa (chapada dos Guimarães), necessária para alimentar os rios pantaneiros. No local há muitas fotos de animais, assim como a simulação de um grande formigueiro. O borboletário projeta-se como um ponto à parte,por tudo que representa.
Na foto principal, a garça moura que havia capturado um peixe. (fotos ANTÔNIO CRISPIM)










