Contratações representam 30% das admissões no estado e refletem avanço gradual da participação feminina na indústria de base florestal
DA REDAÇÃO – TRÊS LAGOAS
Quando vestiu o uniforme da Suzano pela primeira vez, em maio do ano passado, a paranaense Vitória Gomes Valenga, de 19 anos, iniciava sua trajetória profissional na indústria de celulose em Mato Grosso do Sul. Natural de Ponta Grossa (PR), ela se mudou com a família para Ribas do Rio Pardo (MS) após o pai passar a atuar na unidade da companhia e, poucos meses depois, conquistou sua primeira oportunidade no mercado de trabalho como Mecânica de Manutenção I.
A história de Vitória faz parte de um movimento mais amplo. Ao longo de 2025, a Suzano, maior produtora mundial de celulose, contratou 556 mulheres no estado, o equivalente a 30% das 1.868 admissões realizadas nas unidades de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo — uma nova profissional integrada à empresa, em média, a cada 16 horas.
De acordo com dados do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de Mato Grosso do Sul (Sinpacems), o setor registrou 3.985 admissões no período. As contratações da Suzano correspondem a 47% desse total, reforçando a relevância da companhia na dinâmica de geração de empregos da cadeia de celulose no estado.
Primeira oportunidade no setor
Após se instalar em Ribas do Rio Pardo, Vitória ingressou no curso Técnico em Papel e Celulose, promovido pela Suzano em parceria com o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Meses depois, participou do processo seletivo e foi contratada.
“Entrar na Suzano foi a minha primeira oportunidade profissional. Eu não tinha experiência, mas fui muito bem acolhida. Hoje tenho independência financeira e planos de crescer na carreira”, afirma.
Para a jovem, a presença feminina em áreas técnicas e industriais ainda carrega simbolismo. “É importante ver que as mulheres estão conquistando espaço em setores que antes pareciam distantes. Isso amplia horizontes para quem está começando”, acrescenta.
Recomeço profissional
Em Três Lagoas, a trajetória de Brucely Durutea dos Santos, de 48 anos, ilustra um movimento de retorno e recomeço profissional. Após experiências em áreas como frigorífico, enfermagem e atividades florestais, ela ingressou na Suzano em setembro de 2025 como Ajudante de Viveiro.
“Trabalhar me trouxe independência e a possibilidade de reorganizar minha vida. Consegui planejar novos objetivos e retomar projetos que estavam parados”, relata.
Segundo ela, o emprego também impactou diretamente sua autoestima. “O trabalho devolve a sensação de pertencimento e autonomia”, afirma Brucely.
Trabalho estruturado
As contratações fazem parte de um conjunto de iniciativas voltadas à ampliação da participação feminina nas operações industriais e florestais, incluindo programas de qualificação profissional com vagas afirmativas para mulheres e ações de preparação para o mercado de trabalho.
“O crescimento da participação feminina nas nossas operações é resultado de um trabalho estruturado para ampliar oportunidades no estado. Temos investido em formação técnica e em ambientes cada vez mais inclusivos, que permitam às mulheres desenvolver carreira na indústria”, afirma Angela Aparecida dos Santos, gerente executiva de Gente e Gestão da Suzano.
Presença feminina em crescimento
Atualmente, a Suzano concentra em Mato Grosso do Sul mais de 9 mil postos de trabalho diretos, entre colaboradores próprios e terceiros, distribuídos nas operações industriais e florestais. Desse total, 1.327 são ocupados por mulheres, refletindo o avanço gradual da presença feminina nas atividades da companhia no estado.
Em um setor historicamente marcado pela predominância masculina, a ampliação da presença feminina nas unidades industriais e viveiros florestais sinaliza uma transformação gradual no perfil da mão de obra da cadeia de base florestal no estado, ampliando o debate sobre equidade de gênero e acesso ao mercado de trabalho técnico e industrial.






