Grupo de 40 pessoas de Araraquara e Bauru está em Poconé, no Mato Grosso, conhecendo um pouco da história do povo pantaneiro, os desafios para preservar a natureza e garantir o futuro; os impactos do Sesc Pantanal na região bbeneficiam milhares de famílias
ANTÔNIO CRISPIM – POCONÉ
Um grupo bastante heterogêneo de 40 pessoas de Araraquara e Bauru, com diferentes profissões e a maioria com mais de 60 anos, está no Hotel Sesc Porto Cercado, em Poconé, em Mato Grosso. Antes o grupo passou por Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, onde conheceu o Bioparque Pantanal e pontos históricos. Já em Mato Grosso, no Pantanal norte, foram vários passeios pelo Rio Cuiabá (sem pescaria) para contemplação. O roteiro deixa clara a preocupação do Sesc em manter a cultura dos locais visitados, assim como resgatar personagens e promover a integração. Turismo pelo Sesc não é apenas recreação e lazer. É um mergulho na história de cada localidade e de cada povo visitado.
A história do turismo social do Sesc se confunde com a própria criação da instituição, em 1946. Já em 1948, o Sesc inaugurou a colônia de férias de Bertioga, hoje uma referência nacional. A partir de 1951, após conferências técnicas, o Sesc intensificou as práticas de lazer, criando novas colônias de férias e clubes. Ao longo do tempo o Sesc consolidou-se como protagonista no Brasil, com hotéis, turismo receptivo e emissivo em todo o país. O Turismo Social do Sesc é hoje reconhecido por promover a inclusão e o desenvolvimento local, além de ser membro da Organização Internacional de Turismo Social (OITS).
Este crescimento não foi por acaso. A excelência no atendimento e a preocupação em capacitar os profissionais que atuam na área tornam as ações de turismo do Sesc em referência. Hoje, além de comerciários e familiares, outras categorias podem se associar. Nos hotéis do Sesc a procura é intensa. No Hotel Sesc de Poconé, por exemplo, é possível encontrar pessoas de várias outras nacionalidades.
Mergulho na história de Campo Grande e colonização do estado
Nas excursões promovidas pelo Sesc os grupos são sempre acompanhados por um guia nacional, devidamente habilitado pelos órgãos competentes. O grupo que está em Poconé está sendo acompanhado pelo guia Jenilson Oliveira Freire, com mais de três décadas de atuação na área, especializado em turismo ambiental e de aventura. Já em Campo Grande, o grupo foi acompanhado pelo professor Carlos Iracy Coelho Netto, reconhecido como o primeiro guia turístico de Mato Grosso do Sul.
Natural de Campo Grande, Carlos Iracy orgulha-se de ter participado, em Brasília, em 1977, do ato de assinatura, pelo presidente general Ernesto Geisel, do decreto que criou o Estado de Mato Grosso do Sul. Carlos Iracy vai além da questão turística e fala sobre o início da ocupação de do estado que hoje é Mato Grosso do Sul e da formação de Campo Grande, que teve a participação de mineiros, portugueses, árabes e japoneses. Estas comunidades ainda são importantes dentro da sociedade de Campo Grande,
O professor Carlos Iracy se empolga ao falar do Bioparque Pantanal, onde trabalha. Inaugurado há aproximadamente quatro anos, o Bioparque já recebeu 1,6 milhão de visitantes e representantes de 127 países. Trata-se de um empreendimento que está mudando o perfil do turista de Campo Grande. Antes a cidade era apenas passagem para o pantanal ou bonito. Hoje as pessoas já incluem a cidade no roteiro de visitas e isso impacta diretamente a economia.
O Bioparque Pantanal é um empreendimento de 21 mil metros quadrados e que teve investimento da ordem de R$ 237 milhões. O custo mensal estimado para manter o local é de cerca de R$ 1 milhão. Mas tudo isso vale a pena até mesmo para que as pessoas possam conhecer o pouco do que é o bioma pantaneiro e a sua importância para o Brasil e o planeta.
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No local há aquários gigantes com todas as espécies de peixes presentes no pantanal e também espécies da bacia amazônica, como o pirarucu e a pirarara. Os aquários procuram reproduzir o ambiente pantaneiro. É possível ver pequenos peixes até os grandes pintados, dourados, pacus e tantos outros. Isso sem falar na sucuri e nos jacarés, que fazem parte do cenário pantaneiro.
Devido à sua importância científica, o bioparque está sendo descoberto por escolas até mesmo de outros estados, que estão programando visitas. As visitas são guiadas por especialistas, como Carlos Iracy.
Hotel Sesc Porto Cercado proporciona maior contato com a natureza
O Hotel Sesc Porto Cercado integra um complexo mais amplo, denominado Polo Socioambiental Sesc Pantanal, com aproximadamente três décadas impactando de forma positiva parte do Pantanal Norte e até mesmo do cerrado e outras áreas. A proposta é inovadora e desafiadora, pois agrega turismo, educação, conscientização preservacionista e ações sociais. Por isso, toda a programação explora as riquezas do pantanal, mas permite a imersão dos turistas na cultura pantaneira.
Os monitores ambientais locais, devidamente capacitados e habilitados, são de origem pantaneira e todos eles têm muito em comum, como a paixão pelas coisas do pantanal e a gratidão ao Sesc, que mudou a vida de milhares de famílias ao longo dos anos de atuação.
O grupo de turistas de Araraquara e Bauru cumpriu extensa agenda de passeios, como a visita à Casa do Pantaneiro, onde conheceu o Dito Verde, um pantaneiro de 79 anos e bom contador de histórias. Outros passeios incluem contemplação da fauna e flora pantaneira, como o Pantanal Noturno, Alvorecer no Pantanal, Entardecer no Pantanal e Corixo do Moquém. Corixo é um braço de rio, que durante o período das cheias ganha mais volume de água. São muitos corixos ao longo do Rio Cuiabá.
Os passeios foram feitos em embarcações com capacidade para 20 passageiros e motor de 200 HP. Os pilotos, além da longa experiência pelo rio, onde navegam desde a infância, são monitores ambientais habilitados e passam por treinamentos periodicamente. Ao longo dos passeios, dão aula de pantanal, falando sobre cada espécie de aves, animais e plantas. Além disso, têm um olhar apurado, capaz de localizar uma iguana ou urutau em meio à vegetação a muitos metros de distância. São os olhares da experiência.
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Os monitores revelam tanta segurança, que mesmo pessoas arredias ou temerosas de navegação, se sentiram confortáveis e seguras para o passeio noturno pelo Rio Cuiabá.
O grupo esteve também na Baía das Pedras, outra unidade do Sesc Pantanal, com várias atrações e com foco na preservação e educação ambiental. A passagem por Mato Grosso termina na terça-feira, quando vai conhecer a Chapada dos Guimarães e a Cachoeira Véu de Noiva, um dos principais cartões postais do estado.






