Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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UFSCar outorga título de Doutora Honoris Causa a Leci Brandão em cerimônia histórica marcada por emoção e ancestralidade

Evento celebrou a trajetória da artista, intelectual e parlamentar, exaltando seu legado na cultura, na política e na luta antirracista.

Evento celebrou a trajetória da artista, intelectual e parlamentar, exaltando seu legado na cultura, na política e na luta antirracista

DA REDAÇÃO – SÃO CARLOS

Em uma tarde marcada por emoção, ancestralidade afro-brasileira e celebração da cultura popular, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) concedeu, em sessão solene do Conselho Universitário (ConsUni), o título de Doutora Honoris Causa à cantora, compositora e deputada estadual Leci Brandão. A cerimônia, transmitida ao vivo pelo canal da UFSCar no YouTube e com interpretação em Libras, reuniu autoridades, comunidade acadêmica, movimentos sociais e instituições parceiras.

A honraria foi proposta pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) e por docentes de diversos departamentos da UFSCar, além de professoras da UnB e da UFMT. O reconhecimento destaca a contribuição singular de Leci Brandão para a cultura, a educação, a política e a luta antirracista no Brasil.

Discursos enfatizam legado intelectual e resistência

O professor Robson Pereira da Silva (DCSo) abriu os discursos com uma fala ancorada nas epistemologias negras, na religiosidade afro-brasileira e no papel político da obra de Leci. Ele ressaltou a filosofia da artista — sintetizada na expressão “é coisa de Orixá” — como eixo de força, ancestralidade e ação coletiva. Descreveu Leci como uma “Ialodê”, liderança feminina na comunidade negra, e comparou sua atuação a referências internacionais como Angela Davis e Patricia Hill Collins.

Em seguida, André Pereira da Silva, Secretário-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar, destacou o impacto das políticas de inclusão no perfil da Universidade. Para ele, homenagear Leci é “um ato de justiça”, reconhecendo sua importância para a intelectualidade negra e para movimentos transformadores no país.

A professora Ana Cristina Juvenal da Cruz, diretora do CECH, destacou o papel do samba na construção da memória e da história do povo brasileiro, ressaltando Leci como intelectual que “interpreta o Brasil”. Já a Vice-Reitora, Maria de Jesus Dutra dos Reis, emocionou o público ao relatar a influência da música da artista em sua própria trajetória de vida, exaltando sua importância para mulheres negras.

A médica e ativista Jurema Werneck, madrinha da homenagem, reforçou o papel de “farol” que Leci exerce há décadas. Comparou a artista a Ogum, orixá guerreiro, simbolizando sua força, luta e inovação.

Leci Brandão recebe o título e faz discurso de resistência

Ao receber o diploma das mãos da reitora Ana Beatriz de Oliveira, Leci Brandão cantou, agradeceu e revisitou sua trajetória iniciada em Madureira, refletindo sobre os desafios enfrentados como mulher negra no Brasil.

“Desistir nunca foi opção”, afirmou. Leci dedicou o título a todas as mulheres negras que ousaram criar, sonhar e sobreviver, mesmo diante da exclusão e da violência estrutural. Ela criticou o racismo ainda presente em instituições e reafirmou seu compromisso com a equidade e com a luta por uma sociedade mais justa.

Marco histórico para a Universidade

A reitora Ana Beatriz de Oliveira encerrou o evento sublinhando que este é o primeiro título de Doutora Honoris Causa concedido a uma mulher negra pela UFSCar. Ela ressaltou que a presença e a história de Leci “engrandecem a Universidade” e reafirmou o compromisso institucional com o combate ao racismo, a valorização dos saberes populares e a democratização do conhecimento.

A solenidade terminou sob aplausos e com apresentações culturais que celebraram a nova Doutora Honoris Causa da UFSCar — Leci Brandão, símbolo da resistência negra, da cultura popular e da intelectualidade brasileira.

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