Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Unisalesiano e Uniara têm nota “3” no Enamed e Universidade Brasil, “1”

Resultado foi divulgado na segunda-feira pelo Ministério da Educação; o Unisalesiano (Araçatuba) e a Uniara, de Araraquara, tiveram avaliação regular,.

Unisalesiano e Uniara têm nota “3” no Enamed e Universidade Brasil, “1”

Resultado foi divulgado na segunda-feira pelo Ministério da Educação; o Unisalesiano (Araçatuba) e a Uniara, de Araraquara, tiveram avaliação regular, enquanto a Universidade Brasil, de Fernandópolis, ficou com nota 1

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Na segunda-feira (19), o  Ministério da Educação divulgou o resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Dos 351  cursos avaliados, 107 tiveram nota “1”e “2” e poderão sofrer sanções. De acordo com os dados divulgados, 243 cursos tiveram avaliações regulares e boas –  notas de 3 a 5. Um curso não pontuou e ficou sem nota. O Unisalesiano, de Araçatuba, e a Uniara, de Araraquara, ficaram com nota 3. Já a Universidade Brasil, de Fernandópolis, e o Centro Universitário de Adamantina ficaram com nota 1. A Fafipe, de Penápolis, teve nota 2.

Os números indicam que 30,7% dos cursos de Medicina avaliados na primeira edição Enamed obtiveram desempenho considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação (MEC). Esta foi a primeira edição do Enamed, criado para medir o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino ofertado pelas instituições de formação médica. A avaliação passa a ser aplicada anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

De acordo com o MEC, 107 cursos, o equivalente a 30,7% do total avaliado, ficaram abaixo do patamar mínimo de proficiência estabelecido. Parte dessas instituições poderá ser submetida a medidas regulatórias, como suspensão temporária da entrada de novos alunos, redução de vagas e restrições ao acesso a programas federais, a exemplo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As sanções, no entanto, não são automáticas e dependem da instauração de processos administrativos, com garantia de direito à ampla defesa.

O desempenho dos estudantes concluintes também ficou aquém das expectativas do Instituto. Dos cerca de 39 mil alunos próximos da formatura, 67% obtiveram resultado acima da média, classificação denominada pelo Inep como “resultado proficiente”, indicando domínio considerado suficiente para ingresso no mercado de trabalho. Para especialistas, o cenário reforça a discussão sobre a adoção do ProfiMed, exame de proficiência profissional aprovado pelo Senado no fim de 2025 e conhecido como a “OAB dos médicos”.

Para Raul Canal, presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), os resultados evidenciam desigualdades na formação médica. “A expansão acelerada dos cursos de Medicina, sem acompanhamento rigoroso e homogêneo da qualidade, gera disparidades claras nas formações acadêmicas. Esse cenário se reflete nos resultados de avaliações nacionais e reforça a importância de instrumentos permanentes de monitoramento da formação médica”, avalia.

Levantamentos recentes indicam que o Brasil já ultrapassou 50 mil vagas anuais em Medicina e se aproxima de 500 escolas médicas, com predominância de instituições privadas. Projeção da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) aponta que o país pode superar a marca de 1,2 milhão de médicos até 2030. “Quando a expansão do ensino ocorre em ritmo superior à capacidade de regulação e avaliação da qualidade dos cursos, o sistema de saúde absorve esse desequilíbrio. A primeira edição do Enamed expôs esse cenário de forma objetiva”, conclui Canal.

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