Levantamento mostra que apenas 6% dos brasileiros ainda usam cédulas; bares e restaurantes acompanham digitalização e apostam no Pix como ferramenta essencial
DA REDAÇÃO. – SÃO PAULO
O Brasil vive uma revolução silenciosa, porém acelerada, na forma como realiza seus pagamentos. Em apenas cinco anos, o uso de dinheiro em espécie despencou de 43% para apenas 6% da população, segundo a pesquisa “Pagamentos em Transformação: do Dinheiro ao Código”, realizada pelo Google. O protagonista dessa mudança é o Pix, que já alcançou 93% da população e respondeu por 47% de todas as transações financeiras em 2024.
Para Thais Melendez, líder de insights estratégicos do Google, o sucesso do Pix vai além da praticidade: ele está pavimentando o caminho para novas soluções financeiras. “Até mesmo o Pix Parcelado, antes de seu lançamento oficial, já aparece como realidade para muitos usuários, revelando uma oportunidade promissora para o microcrédito no Brasil”, afirmou.
A digitalização dos pagamentos também vem transformando o setor de bares e restaurantes. De acordo com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), o Pix já representa 16,5% do faturamento do setor, com destaque para a região Norte, onde chega a 25,5% das transações. Em contrapartida, o dinheiro impresso responde por apenas 10% das operações.
“O Pix mudou o comportamento do consumidor e se tornou uma alternativa prática e eficiente para os bares e restaurantes”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel. “Além de oferecer segurança e agilidade ao cliente, o recebimento instantâneo facilita o fluxo de caixa dos estabelecimentos”.
Segundo Solmucci, o avanço das transações digitais reflete uma sociedade mais conectada e exige das empresas maior investimento em tecnologia. “Estamos diante de um consumidor que praticamente deixou o dinheiro físico de lado. Isso abre espaço para inovações como pedidos digitais, programas de fidelidade integrados ao Pix e novas experiências de consumo”.
A tendência é que o dinheiro físico continue perdendo espaço nos próximos anos. Pesquisa do Banco Central revela que mais da metade dos brasileiros (53,4%) planeja abandonar totalmente o uso de cédulas até 2030. Outros 31,6% pretendem reduzir a frequência e apenas 8,7% desejam manter o hábito.
“Mais do que uma simples mudança nos meios de pagamento, vivemos uma transformação cultural. E, para continuar competitivo, o setor de alimentação precisa acompanhar essa evolução com agilidade, inovação e foco total na experiência do cliente”, conclui Solmucci.






