Athos Coelho afirma ter sido intimidado horas depois de apresentar denúncia contra prefeita e três vereadores; Câmara decide nesta segunda-feira se abre processo de apuração
ANTÔNIO CRISPIM – BENTO DE ABREU

A Câmara Municipal de Bento de Abreu deverá analisar, na sessão desta segunda-feira (17), a denúncia por suposta infração político-administrativa protocolada na última sexta-feira (14) pelo vereador Athos Coelho Ferreira contra a prefeita Terezinha do Carmo Salesse e os vereadores Jorge Barbosa de Oliveira, José Maria Felipe e Flávio Alves Siqueira, o “Pipa”.
O documento pede a abertura de processo político-administrativo com base no Decreto-Lei nº 201/1967 e sustenta que estruturas da administração pública teriam sido utilizadas para obtenção de apoio político no Legislativo. Também requer , se necessário, a apuração individualizada da conduta dos vereadores citados.
Vereador diz ter sido ameaçado após protocolar denúncia
Horas depois de protocolar a representação na Câmara Municipal, Athos Coelho registrou um Boletim de Ocorrência por ameaça na Delegacia de Polícia de Bento de Abreu.
Segundo o registro policial, na manhã de sexta-feira, após apresentar a denúncia, um homem que se identificou apenas como “Roberto” esteve na residência do pai do vereador procurando por ele. Como Athos não estava no local, o indivíduo deixou a residência após dizer que o assunto era “particular”.
Ainda de acordo com o boletim, por volta das 14 horas, a esposa do vereador recebeu uma ligação telefônica na empresa onde trabalha. Conforme relatado à Polícia Civil, o autor da ligação não se identificou e teria afirmado: “o Athos está mexendo onde não deveria” e “se a gente não encontrar ele, vamos atrás de você”. O caso foi registrado como crime de ameaça e será investigado pela Polícia Civil.
O boletim informa ainda que uma residência próxima possui câmeras de monitoramento que poderão auxiliar na identificação do homem que procurou o vereador na casa de seu pai.
Denúncia envolve prefeita e vereadores
Na representação apresentada à Câmara, Athos afirma que, em 22 de junho de 2026, participou de uma reunião com a prefeita e o ex-candidato a prefeito Vitor Paulo Rigatte, ocasião em que, segundo ele, teria ocorrido uma tentativa de obtenção de apoio para aprovação de um projeto que criava novas secretarias municipais. O vereador afirma possuir gravação ambiental da conversa, apontada como uma das principais provas da denúncia.
Frente de trabalho também é alvo da representação
Outro ponto central da denúncia envolve a chamada frente de trabalho do município.
Segundo o vereador, existem indícios de que vagas no programa teriam sido destinadas mediante indicação de parlamentares, sem critérios objetivos e transparentes, situação que, se comprovada, poderá caracterizar violação aos princípios da impessoalidade, moralidade e isonomia na administração pública.
Na denúncia são citados os vereadores Jorge Barbosa de Oliveira, José Maria Felipe e Flávio Alves Siqueira (“Pipa”), cuja participação deverá ser apurada individualmente, caso a representação seja recebida.
Ligação após reunião também integra denúncia
O documento ainda relata que, após a negativa do vereador em apoiar o projeto, a prefeita teria realizado uma ligação telefônica determinando a retirada da proposta da pauta da Câmara.
Para o denunciante, a sequência dos fatos poderá indicar eventual articulação política entre integrantes do Executivo e do Legislativo, hipótese que deverá ser objeto de apuração caso a denúncia seja admitida.
Câmara decide nesta segunda-feira
A denúncia deverá ser submetida ao plenário na sessão desta segunda-feira.
Nesta fase, os vereadores decidirão apenas sobre o recebimento ou não da denúncia. Caso seja aceita, será instaurado o procedimento previsto no Decreto-Lei nº 201/1967, garantindo aos denunciados o direito ao contraditório e à ampla defesa antes de qualquer julgamento sobre o mérito das acusações.






