Denunciado por ex-assessores de prática de suposta rachadinha, Damião Brito (Rede), teria tentado esconder celulares e não forneceu senhas aos policiais, conforme informação de delegado
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
A Polícia Civil de Araçatuba cumpriu na tarde desta terça-feira (30), mandados de busca e apreensão em três endereços ligados ao vereador Damião Brito (Rede). Os mandados foram cumpridos na residência do vereador, em seu gabinete na Câmara Municipal e no escritório de um advogado. Os mandados foram cumpridos dentro do inquérito que apura denúncia de suposta rachadinha. A denúncia foi feita no ano passado por ex-assessores do vereador. Segundo o delegado seccional de Polícia, Getúlio Sílvio Nardo, o vereador tentou esconder celulares e se negou a fornecer senhas. Na Câmara, a denúncia contra o vereador foi arquivada.
No ano passado, uma mulher que trabalhou pouco tempo com o vereador o denunciou à polícia. Depois, outro assessor procurou a delegacia de polícia para formalizar a queixa. No fim de outubro do ano passado, a denunciante falou com a reportagem do portal Nossa Cidade (nossacidade.online). Na entrevista, ela deu detalhes do esquema.
“Conheci o Damião no dia 5 de setembro, no dia da entrevista para a vaga em que fui indicada para trabalhar com ele. Indicada pelo André, até então o cargo era dele. (Chefe de gabinete). O salário oferecido e dito foi R$ 2.500,00 até então nem comentou que existia ticket alimentação. Falou somente que eu receberia 2500,00. Em nenhum momento ou instante ele falou de rachadinha. Se tivesse dito eu não teria aceitado a vaga, nem teria desfeito de todas as minhas coisas para ficar nesse emprego. Ele apenas disse que às segundas feiras não teria hora para sair devido às sessões e que de terça a sexta seria das 8h às 17:30. Mais nada! Trabalhei oficialmente de 05/09 a 06/10 (dia em que fui demitida por telefone) após retornar de 10 dias de atestado e trabalhar o dia inteiro. Me senti ameaçada em todos os momentos. Nesse quase um mês em que estive nessa vaga/cargo, foi um mês em que eu não dormi, não tive paz, não tive saúde mental, segurança”, afirmou a mulher citando outras passagens, que ela entendeu ser ameaças físicas. Disse que até mesmo ex-funcionária do gabinete foi citada. “Ficava sempre com esses papinhos. Sem contar que andava armado diariamente, em alguns momentos chegou a tirar da cintura a arma só para mostrar”, acrescentou a mulher.
De acordo com a ex-assessora, ela foi contratada por R$ 2,5 mil e ficou sabendo do salário de R$ 13 mil quando foi abrir conta no banco. A mulher disse que ficou “incrédula” e chegou a esquecer a bolsa no guarda-volume do banco. No confronto com o vereador, ele teria dito: “INDEPENDENTE DO VALOR QUE VOCÊ GANHAR, É MEU. MESMO SE FOSSE 50 MIL, É MEU!” (sic). Na época, Damião negou todas as acusações.
Inquérito para apurar as denúncias
Por se tratar de vereador, o inquérito foi instaurado pela Delegacia Seccional de Polícia. O trabalho de investigação está sendo feito desde então. Os mandados de busca e apreensão fazem parte deste trabalho de investigação.
O delegado seccional Getúlio Nardo não deu detalhes do inquérito, pois os trabalhos continuam sendo feitos. O material apreendido nesta operação será periciado. Dependendo do que for apurado, outras ações podem ser desencadeadas.
Na ação policial desta terça-feira não foi apreendido dinheiro. Ninguém foi preso.
HISTÓRICO EM ARAÇATUBA
Com diferentes nomes – rachadinha é o mais atual devido ao caso do então deputado estadual do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro -, a cobrança de parte dos salários de apaniguados políticos é antiga em Araçatuba. Um vereador já chegou a ser condenado pela prática. Em alguns momentos o assunto é falado abertamente pelos corredores. Há ainda vereador que exige apenas que o assessor faça doações a entidades e instituições.
CASSAÇÃO EM ARARAQUARA
Em Araraquara, o vereador Emanoel Sponton (PP), teve o mandato cassado no ano passado pela prática de rachadinha.
Foto destaque- Delegado Gétulio Sílvio Nardo – Reprodução RP10






