Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Vereadores conhecem bastidores da regulação de vagas e pressão enfrentada pela Santa Casa de Araçatuba

Parlamentares visitam Núcleo Interno de Regulação e acompanham de perto o desafio diário de administrar dezenas de pacientes à espera.

Vereadores conhecem bastidores da regulação de vagas e pressão enfrentada pela Santa Casa de Araçatuba

Parlamentares visitam Núcleo Interno de Regulação e acompanham de perto o desafio diário de administrar dezenas de pacientes à espera de transferência; hospital recebe cerca de 100 pedidos de vagas por dia

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

A Santa Casa de Araçatuba abriu as portas para vereadores do município conhecerem, em detalhes, como funciona o sistema de regulação de vagas hospitalares e os desafios enfrentados diariamente para atender pacientes de toda a região. O encontro revelou a complexidade do processo e a pressão constante sobre a capacidade instalada da instituição, referência em urgência e emergência de alta complexidade para 40 municípios.

Participaram da reunião os vereadores Damião Brito, Edna Flor, Gilberto Batata Mantovani, Hideto Honda, Luciano Perdigão, Luís Boatto e João Pedro Pugina, atendendo a convite do provedor da Santa Casa, Dr. Éverton Santos.

Sistema de vagas segue critérios técnicos

Durante a reunião, a direção do hospital explicou que a transferência de pacientes para a Santa Casa não depende da decisão isolada de um profissional ou da própria instituição, como frequentemente é especulado.

O processo envolve três médicos: o regulador da CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), vinculada ao Governo do Estado; o médico plantonista do Núcleo Interno de Regulação (NIR) da Santa Casa; e o médico da unidade de saúde que solicita a vaga.

Segundo a equipe técnica, os critérios adotados são exclusivamente técnicos e levam em consideração a gravidade do quadro clínico, exames, laudos médicos, disponibilidade de leitos e a estrutura mais adequada para o atendimento de cada paciente.

Em casos de agravamento do estado de saúde, o médico regulador da CROSS pode determinar medidas excepcionais, como a chamada “vaga zero”, garantindo a transferência imediata do paciente para uma unidade capaz de prestar assistência.

Hospital recebe cerca de 100 solicitações por dia

A dimensão do desafio enfrentado pela Santa Casa ficou evidente durante a visita dos vereadores ao Núcleo Interno de Regulação.

Referência regional para casos de média e alta complexidade, o hospital recebe, em média, aproximadamente 100 solicitações de vagas a cada 24 horas.

Na manhã de terça-feira (2), o sistema registrava 39 pacientes aguardando transferência para a instituição. O número praticamente equivale à capacidade disponível para atendimento, já que o hospital conta com 40 pontos de assistência destinados a esse tipo de demanda.

Por volta das 11h, entretanto, não havia nenhuma vaga disponível para oferta, demonstrando a pressão permanente sobre a estrutura hospitalar.

Vereadores acompanham situação em tempo real

Após a reunião, os parlamentares tiveram acesso ao sistema utilizado pelo Núcleo Interno de Regulação e puderam acompanhar, em tempo real, os pedidos de transferência que aguardavam definição.

A visita teve como objetivo ampliar a compreensão dos vereadores sobre os critérios adotados para encaminhamento de pacientes e esclarecer dúvidas frequentes da população sobre o funcionamento da regulação estadual.

Necessidade de ampliar a rede de saúde

Para o provedor da Santa Casa, Dr. Éverton Santos, o encontro foi importante para demonstrar a transparência do sistema e aproximar o Legislativo da realidade enfrentada pela instituição.

“A reunião permitiu aos vereadores compreender de forma mais aprofundada o funcionamento da regulação estadual e os critérios técnicos que orientam as decisões relacionadas ao encaminhamento de pacientes, reforçando a importância do fortalecimento da rede regional de saúde para ampliar a capacidade de atendimento à população”, afirmou.

O vereador Damião Brito destacou que a visita ajudou a esclarecer dúvidas que também existem entre os cidadãos.

“Foi uma avaliação positiva, pois a reunião nos ajudou a esclarecer todas as dúvidas e repassar isso para a população, que também tem questionamentos sobre o funcionamento da regulação”, disse.

Já a presidente da Câmara, vereadora Edna Flor, ressaltou que a experiência reforçou a necessidade de buscar soluções estruturais para a saúde pública.

“Saímos daqui com uma grande inquietação, que é a busca de soluções definitivas. Isso passa pela criação de um hospital municipal e pela ampliação de vagas em unidades de cuidados prolongados. Saímos com ainda mais responsabilidade diante do compromisso que temos com a saúde pública”, afirmou.

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