Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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Eleitor rasga o título e joga no lixo após resultado da eleição presidencial

Morador de Mirandópolis, Reinaldo Cardoso de Sá, de 58 anos, demonstrou indignação com a reeleição de Lula e comparou o processo eleitoral a um grande circo, no qual o título de eleitor seria apenas o ingresso

Arte ingresso

Para o cidadão Reinaldo Cardoso de Sá, o lixo é o local apropriado para o título de eleitor, o qual considerou como "ingresso" para o "circo". Crédito: foto de Reinaldo Crdoso de Sá com arte de IA

Indignado com o resultado do segundo turno da eleição presidencial, o morador de Mirandópolis Reinaldo Cardoso de Sá, de 58 anos, encontrou uma maneira inusitada de manifestar seu descontentamento: rasgou o próprio título de eleitor e jogou os pedaços no lixo.

O protesto ocorreu logo após a conclusão da apuração que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para mais quatro anos de mandato.

Para Reinaldo, o gesto foi uma reação espontânea ao sentimento de frustração com o processo eleitoral. Ele reconhece, entretanto, que sua atitude pode não ter sido a mais adequada.

“Eu tenho uma forma de pensar. Eu creio em Deus. Creio também que Ele é soberano, supremo em tudo. E, apesar da minha indignação e da minha atitude, que talvez nem tenha sido a correta, foi o sentimento que tive na hora. Eu me senti lesado diante de tudo o que aconteceu. E não foi só agora, no segundo turno. Isso já vem acontecendo em outras eleições também”, afirmou.

“O título era apenas o ingresso para o circo”

Reinaldo Csrdoso de Sá.
Reinaldo Csrdoso de Sá. Crédito: reprodução

Reinaldo já havia manifestado seu descontentamento em um artigo de opinião, no qual comparou as eleições a um grande circo e o título de eleitor ao ingresso para o espetáculo.

Segundo ele, a comparação traduz o sentimento de quem acredita participar de uma escolha democrática, mas termina o processo frustrado e desconfiado do resultado.

“A gente fica indignado porque se sente como um palhaço. Você dedica seu tempo, supostamente tem a sua escolha e, no final, fica com a sensação de que até aqueles que acreditam ter escolhido também passaram por palhaços”, declarou.

O morador também levantou suspeitas sobre a condução da apuração eleitoral, afirmando acreditar que o resultado poderia estar previamente definido.

“Dá a entender que já estava tudo definido e que precisavam de tempo para justificar as definições que já existiam. Esse é o meu entendimento. Posso estar errado, mas foi o meu sentimento”, disse.

Fé e indignação

Apesar da revolta, Reinaldo afirma que sua fé continua sendo o principal fundamento de sua maneira de compreender os acontecimentos políticos.

“Hoje a gente desperta. Há diversas possibilidades do que pode ter acontecido. Mas, independentemente disso, Deus é soberano. Deus tem o controle de tudo. Existe a vontade de Deus e Ele permite as coisas”, afirmou.

Para o morador, os acontecimentos devem ser compreendidos também sob uma perspectiva religiosa.

“Em toda a história bíblica, para aqueles que creem, Deus tem o momento certo de agir. Diante de Deus há o tempo certo”, acrescentou.

Destruir o título não cancela o voto

Embora tenha forte significado simbólico para Reinaldo, cortar e descartar o título de eleitor não representa o cancelamento da inscrição eleitoral nem retira automaticamente suas obrigações perante a Justiça Eleitoral.

O documento físico é apenas uma das formas de identificação do eleitor. A inscrição permanece registrada na Justiça Eleitoral, e sua situação pode ser consultada pelos canais oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O protesto de Reinaldo ocorre em meio às manifestações de insatisfação de setores do eleitorado com o resultado da disputa presidencial. Em algumas localidades, apoiadores da família Bolsonaro também discutem a realização de atos públicos.

Para o morador de Mirandópolis, porém, o gesto de cortar o título foi uma manifestação individual de indignação e de descrença no processo eleitoral.

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