Como alguém que se identifica convictamente com os valores da direita defendendo a liberdade econômica, a responsabilidade fiscal, a ordem e o direito à propriedade, sinto o dever ético de olhar para o cenário político atual com autocrítica e honestidade. Ser de direita não significa anuir cegamente com qualquer discurso que se oponha à esquerda; significa, antes de tudo, zelar pelas bases institucionais que sustentam uma sociedade próspera e livre. É justamente por esse compromisso que vejo com profunda preocupação a ascensão de visões radicais dentro do nosso próprio campo.
O alerta vermelho do extremismo
O medo de um eventual governo extremista de direita não é um mero fantasma retórico ou um espantalho criado por adversários; é um sinal de alerta legítimo que nos obriga a uma reflexão urgente. Quando o debate político abandona as propostas técnicas e o respeito institucional para dar lugar ao populismo personalista e à retórica da terra arrasada, todos perdem. A história demonstra de forma inequívoca que governos radicais independentemente do sinal ideológico sacrificam a estabilidade, afugentam o capital e fraturam o tecido social de uma nação.
A ameaça ao pacto constitucional
O aspecto mais alarmante desse cenário é o risco real e iminente de se alterar a constituição. O primeiro alvo do extremismo costuma ser, invariavelmente, o ordenamento jurídico. A tentação de desfigurar a nossa Carta Magna para acomodar projetos de poder momentâneos ou centralizar funções representa uma agressão direta às liberdades individuais. Mexer nas regras do jogo democrático ao sabor de conveniências ideológicas destrói a previsibilidade jurídica, afasta investimentos estrangeiros e abre precedentes perigosos que dificilmente poderão ser revertidos. Uma direita que flerta com o desmonte constitucional deixa de ser uma alternativa de conservação e progresso para se tornar um vetor de caos.
Um amanhã promissor ou tenebroso?
Essa reflexão nos conduz a uma conclusão desconfortável, mas necessária: se o futuro do Brasil for moldado pela intolerância, pela radicalização e pelo casuísmo jurídico, esse futuro será tenebroso. O verdadeiro papel de uma direita lúcida, madura e verdadeiramente patriota deve ser o de apresentar soluções viáveis para a segurança pública, a eficiência do Estado e o crescimento econômico mas sempre sob a proteção e o respeito absoluto ao texto constitucional vigente. Rejeitar o extremismo e a tentação de refundar o Estado à força não é abrir mão de nossas convicções; é o único caminho para garantir que o amanhã do nosso país seja promissor, e não sombrio.
Almir Fernandes Lima Advogado.






