Uma criança de apenas 2 anos foi internada em estado gravíssimo na Santa Casa de Araçatuba, nesta segunda-feira (19), com traumatismo cranioencefálico, hemorragia cerebral, fratura no crânio, lesões pulmonares e múltiplos hematomas pelo corpo. A gravidade dos ferimentos levantou suspeitas de agressões físicas no ambiente doméstico, resultando na prisão dos responsáveis pelo menino.
A mãe, Gabriele Carolina da Costa, e o companheiro dela, Gabriel Suntaque de Almeida, foram conduzidos à delegacia pela Polícia Militar. Conforme o registro policial, foi determinada a prisão preventiva dos dois, investigados por tentativa de homicídio qualificado e tortura.
O menino permanece internado em estado crítico, com risco de morte encefálica, segundo as informações médicas registradas na ocorrência.
Médicos identificaram lesões incompatíveis com queda
A Polícia Militar foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender a uma ocorrência inicialmente comunicada como suspeita de tentativa de homicídio contra uma criança.
Os policiais se deslocaram até a Santa Casa de Araçatuba, onde conversaram com uma médica da equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A profissional informou que o menino havia dado entrada na unidade hospitalar em estado extremamente grave, apresentando hematomas e lesões em diferentes regiões do corpo, principalmente na cabeça.
Entre os ferimentos identificados estão traumatismo cranioencefálico gravíssimo, hemorragia subaracnóidea, fratura occipital, contusão pulmonar bilateral e múltiplos hematomas.
A criança precisou ser submetida a procedimentos emergenciais, incluindo intubação orotraqueal, diante da gravidade do quadro e do risco de parada cardiorrespiratória.
Após os primeiros atendimentos, a avaliação médica identificou outras lesões que, segundo os profissionais de saúde, não seriam compatíveis com uma simples queda da cama.
Responsáveis alegaram que criança caiu da cama
Questionada sobre a origem dos ferimentos, a mãe informou que, segundo a versão apresentada por seu companheiro, o menino havia caído da cama enquanto estava sob os cuidados dele.
A mulher, que está grávida, também recebeu atendimento médico durante sua permanência no hospital, após apresentar mal-estar.
Posteriormente, deixou a unidade hospitalar e retornou à residência, sem permanecer acompanhando o filho internado.
Ao ser questionada sobre o motivo, alegou que havia sido orientada por funcionários da Santa Casa de que não poderia permanecer no hospital em razão da gestação.
Essa informação consta do relato policial e não representa confirmação de que a orientação tenha sido efetivamente dada pela instituição.
Conselho Tutelar encontrou histórico de atendimentos anteriores
O Conselho Tutelar também foi acionado e compareceu à Santa Casa, onde recebeu informações sobre a gravidade das lesões.
Segundo o registro, os conselheiros foram informados de que o menino apresentava ferimentos e fraturas em diferentes partes do corpo, incluindo cabeça, ombros, costas e uma das pernas.
Durante o acompanhamento da ocorrência, o órgão identificou um relatório encaminhado pela assistência social do Pronto-Socorro Municipal, com registros de atendimentos anteriores envolvendo a mesma criança.
Em 15 de agosto de 2026, o menino havia sido levado à unidade de saúde pela mãe, que relatou uma queda de um colchão. Na ocasião, apresentava inchaço e dor na região posterior do ombro.
Em 8 de outubro, houve novo atendimento, quando foi constatado edema na região genital, com relato de agravamento progressivo.
Já nesta segunda-feira (19), a criança voltou a ser atendida no Pronto-Socorro Municipal. Dessa vez, a mãe informou que o filho havia caído da cama aproximadamente 30 minutos antes de chegar à unidade.
O histórico de atendimentos passou a integrar os elementos analisados na investigação.
Polícia investiga suspeita de agressões no ambiente doméstico
De acordo com o registro policial, a gravidade e a distribuição das lesões levantaram suspeitas de que o menino tenha sido submetido a agressões físicas no ambiente doméstico.
A avaliação médica sobre a incompatibilidade dos ferimentos com a versão apresentada pelos responsáveis foi considerada um dos elementos relevantes para a adoção das medidas policiais.
Diante dos indícios reunidos, foi determinada a prisão preventiva de Gabriel Suntaque de Almeida e Gabriele Carolina da Costa.
Os dois são investigados, em tese, pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e tortura.
As circunstâncias em que a criança sofreu os ferimentos, a participação individual de cada investigado e a eventual existência de agressões anteriores ainda dependem de apuração.
Criança corre risco de morte
O quadro clínico do menino é considerado extremamente grave. Conforme as informações fornecidas pela equipe médica e registradas na ocorrência, existe risco de evolução para morte encefálica.
O documento policial não informa que tenha ocorrido confirmação de morte encefálica.
A investigação deverá esclarecer a origem das lesões e as circunstâncias dos atendimentos médicos anteriores.
Os responsáveis permanecem na condição de investigados, e a responsabilização criminal dependerá do andamento do processo e das decisões da Justiça.






