A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Dux, para desarticular uma suposta organização criminosa envolvida na importação clandestina de produtos eletrônicos, especialmente aparelhos celulares. Segundo as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 460 milhões por meio de operações financeiras consideradas suspeitas.
A ação mobiliza aproximadamente 130 policiais federais, responsáveis pelo cumprimento de 36 mandados de busca e apreensão em cinco municípios do interior de São Paulo: São José do Rio Preto, Catanduva, Olímpia, Severínia e Franca.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de São José do Rio Preto. Além das buscas, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, a aplicação de medidas cautelares e a suspensão de perfis em redes sociais utilizados para comercializar aparelhos eletrônicos vinculados ao grupo investigado.
Investigação aponta movimentação superior a R$ 460 milhões
De acordo com a Polícia Federal, as investigações identificaram a existência de uma rede clandestina de importação de produtos eletrônicos, com destaque para telefones celulares.
A estrutura investigada teria movimentado mais de R$ 460 milhões, utilizando mecanismos financeiros destinados a dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelas operações.
Segundo a PF, o grupo recorria a empresas e pessoas sem capacidade econômica compatível com os valores movimentados.
Essas estruturas seriam utilizadas para realizar transações financeiras sem lastro econômico e ocultar patrimônio pertencente aos reais proprietários dos negócios.
A suspeita é de que o esquema tenha sido organizado para viabilizar a entrada irregular de mercadorias no país, movimentar os recursos obtidos com sua comercialização e dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades.
Justiça determina bloqueio de bens e suspensão de perfis
Além dos 36 mandados de busca e apreensão, a decisão judicial prevê medidas destinadas a restringir a movimentação patrimonial dos investigados.
Entre elas estão a indisponibilidade de bens e valores e a suspensão de perfis em redes sociais utilizados para a venda de aparelhos eletrônicos relacionados à investigação.
A medida busca atingir não apenas a estrutura financeira do grupo, mas também os canais digitais que, segundo a investigação, eram utilizados para a comercialização dos produtos.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais federais apreenderam diversos veículos e aparelhos eletrônicos.
O material recolhido deverá ser analisado no decorrer das investigações, com o objetivo de aprofundar a identificação dos envolvidos e esclarecer a extensão das operações financeiras.
Investigados podem responder por três tipos de crime
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme a participação individual de cada um, pelos crimes de contrabando e descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O descaminho está relacionado à entrada ou saída de mercadorias permitidas com fraude ao pagamento dos tributos devidos. Já o contrabando envolve a importação ou exportação de mercadorias proibidas.
A lavagem de dinheiro, por sua vez, consiste em operações destinadas a ocultar ou dissimular a origem ilícita de bens e valores.
A investigação também apura a possível existência de uma estrutura organizada para a prática dos crimes.
As suspeitas ainda estão sob investigação, e a deflagração da operação não representa condenação dos envolvidos.
Nome da operação significa “líder” em latim
A denominação Dux tem origem no latim e significa “líder” ou “guia”.
A Polícia Federal não informou, no comunicado divulgado nesta terça-feira, o número total de investigados nem eventual realização de prisões.
A operação prossegue com a análise dos materiais apreendidos e o aprofundamento das investigações sobre a rede de importação clandestina e suas movimentações financeiras.






