Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
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Na democracia, o eleitor está acima dos candidatos

Vinheta

O Brasil chega à reta final de mais uma eleição presidencial marcado por divergências políticas, disputas intensas e manifestações de apoio aos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Em meio a esse ambiente, uma questão fundamental não pode ser esquecida: na democracia, o protagonista da eleição não é o candidato, o partido ou a liderança política. É o eleitor.

É ele quem decide. É dele a responsabilidade de escolher quem conduzirá os destinos do país. E é justamente por isso que sua liberdade precisa ser respeitada, independentemente da preferência manifestada nas urnas.

O voto não pode ser motivo de agressão, rompimento de relações pessoais, perseguição, constrangimento ou discriminação. Pensar diferente não transforma ninguém em inimigo. Ter uma posição política contrária à de um familiar, amigo, colega de trabalho ou vizinho não retira de ninguém o direito ao respeito.

A democracia existe exatamente porque as pessoas não pensam da mesma maneira.

É natural que uma eleição presidencial desperte paixões. Os candidatos representam projetos políticos distintos, com propostas, trajetórias e visões diferentes sobre o futuro do Brasil.

O debate é necessário. A crítica é legítima. A cobrança por explicações, compromissos e propostas faz parte do processo democrático.

O que não pode ser considerado normal é transformar a divergência em hostilidade.

Nenhum candidato deve ser colocado acima das relações humanas, da convivência social ou dos princípios democráticos. Nenhuma preferência partidária justifica ameaças, ofensas, humilhações ou qualquer forma de violência.

O sectarismo, que divide a sociedade entre grupos incapazes de dialogar, enfraquece justamente aquilo que os eleitores deveriam preservar: o direito de escolher livremente.

Defender um candidato é legítimo. Desrespeitar quem escolhe outro não é.

O voto é pessoal, livre e secreto. Não pertence ao empregador, ao dirigente partidário, ao líder religioso, ao familiar ou a qualquer outra pessoa que pretenda determinar a escolha de um cidadão.

Cada eleitor tem o direito de avaliar os candidatos segundo suas convicções, experiências, necessidades e expectativas.

Alguns priorizam a economia e o emprego. Outros consideram mais importantes a saúde, a educação, a segurança pública, os programas sociais ou a condução das instituições democráticas.

Há também quem escolha a partir da trajetória dos candidatos, de suas propostas ou da avaliação dos governos anteriores.

São critérios que pertencem à consciência individual.

Não cabe a ninguém impor sua própria interpretação como se fosse a única aceitável.

O respeito ao voto livre também exige rejeitar qualquer tentativa de constrangimento eleitoral, especialmente quando envolve ameaças relacionadas ao emprego, à renda ou às relações de dependência.

A liberdade de escolha não pode existir apenas no discurso. Precisa ser assegurada na prática.

Outro princípio precisa ser lembrado: o candidato eleito não se torna dono do país, do Estado ou do município.

Recebe, por prazo determinado, a responsabilidade de administrar em nome da população.

A vitória eleitoral confere legitimidade para governar, mas não elimina a obrigação de prestar contas, respeitar a Constituição, cumprir as leis e reconhecer os direitos de quem votou na oposição.

Da mesma forma, quem perde uma eleição não perde sua condição de cidadão nem seu direito de participar da vida pública, criticar o governo e defender outras propostas.

O resultado das urnas deve ser respeitado por vencedores e derrotados.

A alternância de poder, a fiscalização dos governantes e a possibilidade de discordar são elementos essenciais do regime democrático.

O eleito governa para todos, não apenas para aqueles que votaram nele.

Ao escolher o presidente da República, o cidadão participa de uma decisão que terá consequências para toda a sociedade.

Por isso, votar exige mais do que entusiasmo por um nome ou rejeição ao adversário.

É importante conhecer propostas, examinar trajetórias, acompanhar debates, verificar informações e refletir sobre os efeitos das decisões políticas.

O eleitor precisa ter consciência de que sua participação não termina quando confirma o voto na urna eletrônica.

Depois da eleição, começa outra responsabilidade: acompanhar o governo, cobrar o cumprimento de compromissos, fiscalizar o uso dos recursos públicos e exigir respeito às instituições.

A democracia não se resume ao dia da votação. Ela se constrói diariamente, com participação, informação e responsabilidade.

Lula e Flávio Bolsonaro representam candidaturas em disputa. Seus apoiadores têm o direito de defendê-los, assim como seus críticos têm o direito de questioná-los.

Mas o Brasil é maior do que qualquer candidatura.

No dia seguinte à eleição, familiares continuarão sendo familiares, amigos continuarão sendo amigos e colegas precisarão continuar convivendo.

Os problemas nacionais também permanecerão exigindo soluções: emprego, renda, saúde, educação, segurança, infraestrutura e qualidade dos serviços públicos.

Nenhum desses desafios será resolvido pela intolerância entre eleitores.

A capacidade de conviver com opiniões diferentes não é sinal de fraqueza ou falta de convicção. É demonstração de maturidade democrática.

O portal Nossa Cidade reafirma, neste momento decisivo, seu compromisso com a liberdade de expressão, o respeito às diferenças, o direito à informação e a soberania do voto popular.

Não cabe à imprensa substituir a consciência do eleitor, mas oferecer informações que contribuam para escolhas livres e responsáveis.

Independentemente de quem seja eleito, a decisão legítima das urnas precisa ser respeitada. E quem receber o mandato terá o dever de governar com responsabilidade, transparência e respeito à população.

É possível defender Lula sem agredir quem vota em Flávio Bolsonaro. É possível apoiar Flávio Bolsonaro sem hostilizar quem prefere Lula. E é igualmente legítimo questionar ambos.

A democracia não exige unanimidade. Exige respeito às regras, às instituições e, principalmente, às pessoas.

Na eleição, o eleitor está acima de tudo. É ele quem escolhe os governantes. É a ele que os eleitos devem satisfação.

Os candidatos passam. Os governos terminam. A democracia e o respeito ao cidadão precisam permanecer.

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