Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

O crepúsculo dos "exilados" de Miami na era da onda azul

VINHETA

O sonho americano da extrema-direita brasileira acaba de bater no teto de vidro do Capitólio. A histórica vitória esmagadora do Partido Democrata nas eleições legislativas dos EUA não apenas impôs um freio na empáfia de Donald Trump, mas também acendeu o sinal vermelho no ensolarado "bunker" de Miami, onde figuras ilustres do bolsonarismo tentam vender a narrativa de que são os novos mártires da liberdade.

O caso mais emblemático desse turismo jurídico travestido de exílio é o de Flávio Bolsonaro. Após o Supremo Tribunal Federal determinar a entrega de seus documentos, o parlamentar resolveu inaugurar um deboche de proporções continentais: ignorou solenemente o prazo judicial, não entregou passaporte nenhum e cruzou as fronteiras rumo à Flórida. Em resposta ao desacato, a Polícia Federal foi obrigada a efetuar o cancelamento burocrático de suas credenciais de viagem, transformando o que deveria ser uma retenção legal em uma fuga escancarada à base de passaporte estrangeiro.

 A grande ironia é que o verniz de "perseguição política" usado por essa trupe está derretendo mais rápido que sorvete no verão carioca. É fácil posar de exilado e invocar a Primeira Emenda americana quando se tem deputados republicanos para tapar o sol com a peneira migratória. Mas com os democratas assumindo o comando das comissões no Congresso americano, o jogo mudou. Parlamentares de Washington, que não têm nenhum compromisso com a impunidade de políticos sul-americanos, tendem a exigir do Departamento de Estado um pente-fino rigoroso em vistos e asilos concedidos a quem responde por crimes comuns e financeiros em seu país de origem.

Os tratados de extradição continuam vigentes e, convenhamos, lavar dinheiro, evasão de divisas, ou corrupção não são exatamente atividades protegidas como "delito de opinião" em nenhuma democracia séria. Ao perderem o escudo político no Capitólio, os fugitivos VIPs da nossa política descobrem, da pior maneira possível, que Miami Beach está prestes a se tornar um lugar desconfortavelmente pequeno. A distância geográfica já não basta para esconder quem confunde o código penal com perseguição ideológica.

ALMIR FERNANDES LIMA

ADVOGADO

Compartilhar

Leia também