Sábado, 24 de outubro de 2026
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O nocaute técnico de Flávio: como o escárnio virou humilhação em rede nacional

Vinheta

O último debate presidencial na TV Globo não terminou em nocaute imediato, mas a vantagem imposta pelo presidente Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro foi abissal. Mais do que o atropelo retórico nas discussões sobre o envolvimento do clã com milícias na Alerj ou as nebulosas relações com Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, o que se viu no estúdio foi o choque inevitável entre a baixeza moral e a dignidade humana.

Ao tentar criticar a política tributária, o senador recorreu ao pior repertório do preconceito ao disparar que o governo "dá com uma mão e tira com os nove dedos". A fala preconceituosa mira na amputação sofrida por Lula em um acidente de trabalho como torneiro mecânico em 1964. O deboche rasteiro, contudo, ricocheteou. Lula reagiu de forma enérgica e pedagógica, gerando imediata reação negativa em grupos focais e nas redes sociais.

Esse episódio expõe uma ferida que ultrapassa a disputa eleitoral. No Brasil, o capacitismo estrutural ainda é uma realidade dolorosa para milhões de cidadãos que convivem com deficiências ou que foram mutilados no exercício de suas profissões. Usar uma limitação física como arma política não é "humor" ou "provocação de debate"; é desumanização pura e simples. O debate político e as instituições do país têm a obrigação de priorizar políticas públicas reais de inclusão e acessibilidade, rejeitando a normalização do preconceito.

O confronto no debate culminou na humilhação pública de Flávio Bolsonaro, reduzido a gaguejar desculpas após um tiro que saiu pela culatra. Encurralado por suas próprias contradições e pelo peso do próprio cinismo, o senador sofreu um nocaute técnico indiscutível em rede nacional.

ALMIR FERNANDES LIMA

ADVOGADO

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