Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Rodovias de SP têm 415 passagens de fauna para evitar atropelamentos de animais

Estruturas subterrâneas e aéreas permitem a travessia segura de animais silvestres e ajudam a prevenir acidentes. Estado prevê ampliar a rede de proteção, com novas passagens em diferentes concessões rodoviárias.

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Na Rodovia Antönio Machado Sant'Anna (SP 255) há uma passagem próximo à ponte sobre o Rio Mogi Guaçu, entre Ribeirão Preto e Araraquara. Crédito: Reprodução Google Maps com IA

As rodovias concedidas do Estado de São Paulo contam com 415 estruturas de travessia de fauna, destinadas a reduzir o atropelamento de animais silvestres e aumentar a segurança dos motoristas. As passagens permitem que espécies como capivaras, tatus, cotias, macacos, lobos-guarás e até onças atravessem áreas cortadas por rodovias sem precisar entrar diretamente nas pistas.

Os números são da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), que acompanha as obrigações ambientais das concessionárias. O levantamento citado pela agência foi realizado em 2015 e aponta a existência de 415 estruturas implantadas e em funcionamento, além da previsão de outras 121 passagens.

A infraestrutura é considerada importante para a preservação da biodiversidade e a prevenção de acidentes, especialmente em trechos próximos a matas, rios e áreas de vegetação nativa.

Passagens subterrâneas e aéreas protegem os animais

A maior parte das estruturas existentes é formada por passagens subterrâneas, que permitem aos animais cruzar as rodovias por baixo das pistas.

Muitas aproveitam bueiros, galerias de drenagem e pontes adaptadas para a circulação da fauna. Outras são construídas exclusivamente para essa finalidade.

Também existem passagens aéreas, destinadas principalmente a espécies que vivem nas árvores, como macacos e outros primatas.

Essas estruturas conectam copas de árvores e fragmentos de vegetação separados pelas rodovias, reduzindo a necessidade de os animais descerem ao solo para atravessar.

Segundo a ARTESP, as passagens estão distribuídas em pontos estratégicos de 29 rodovias paulistas.

Os animais costumam utilizar as travessias subterrâneas principalmente no início da manhã e durante a noite, quando saem em busca de água e alimentos.

Rodovia dos Tamoios tem 17 passagens de fauna

Entre os exemplos destacados pela agência está a Rodovia dos Tamoios, que conta com 17 estruturas em operação.

Desse total, 14 são subterrâneas e três são aéreas. Entre elas estão duas passagens destinadas a primatas e um viaduto vegetado, apontado pela ARTESP como o primeiro desse tipo no Estado.

No Rodoanel Norte, a concessionária Via SP Serra instalou cinco passagens inferiores, do tipo galeria. Outras 15 passagens aéreas estão previstas para os trechos do entorno da rodovia.

Na região de Ribeirão Preto, a Rodovia Antônio Machado Sant’Anna (SP-255) recebeu a primeira passagem aérea de fauna suspensa destacada pela agência.

A concessionária Arteris ViaPaulista já implantou 40 estruturas ao longo de sua concessão e prevê outras 52 nos lotes que estão recebendo obras.

Já a SPVias mantém 29 passagens distribuídas pelas cinco rodovias sob sua administração.

Novas concessões ampliam proteção ambiental

A ampliação das passagens de fauna também faz parte dos investimentos previstos nos contratos das concessionárias.

Nas rodovias administradas pela Eixo SP, estão previstas 32 novas travessias, que serão acrescentadas às 33 já existentes.

A Entrevias, por sua vez, prevê a implantação de outras 30 passagens.

Os projetos incluem principalmente estruturas subterrâneas, aproveitamento de galerias de água e bueiros, adaptações de pontes e construção de travessias exclusivas para os animais.

Nas novas concessões da Nova Raposo e da Rota Sorocabana, estão previstas 50 passagens de fauna, com investimento estimado em R$ 16,9 milhões.

A Nova Raposo deverá receber 22 estruturas, sendo 11 aéreas e 11 subterrâneas, com investimento de R$ 7,4 milhões.

A Rota Sorocabana terá 28 passagens, com previsão de investimento de R$ 9,5 milhões.

As concessionárias também deverão realizar estudos anuais para identificar os pontos de maior risco de atropelamento de animais e encaminhar os resultados à ARTESP e à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Animais de grande porte também representam risco nas pistas

Além da fauna silvestre, a presença de animais domésticos e de criação nas rodovias preocupa as equipes de fiscalização.

Na Baixada Santista, a concessionária Novo Litoral realizou uma operação na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055), entre Itanhaém e Itariri, e identificou 13 animais de grande porte: sete bovinos e seis equinos.

Todos receberam identificação por microchip, procedimento que facilita o rastreamento e a localização dos responsáveis em caso de ocorrências.

A ação contou com acompanhamento da Polícia Militar Rodoviária e os procedimentos foram realizados por médico-veterinário.

A presença de animais de grande porte nas pistas representa risco de acidentes graves, especialmente em rodovias de alta velocidade.

Por isso, os proprietários devem manter cercas e outras medidas de contenção para impedir que os animais tenham acesso às rodovias.

Bicho-preguiça com filhote e lobo-guará foram resgatados

Bicho-preguiça foi resgatado em rodovia.
Bicho-preguiça foi resgatado em rodovia. Crédito: Divulgação CNL

As equipes de monitoramento das concessionárias também atuam no resgate de animais silvestres encontrados em situação de risco.

Durante o feriado de 12 de outubro, funcionários da Novo Litoral resgataram uma fêmea de bicho-preguiça que carregava um filhote nas costas, às margens da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em Pedro de Toledo.

Os animais apresentavam ferimentos e escoriações e foram encaminhados a um instituto parceiro para receber cuidados.

Em setembro, a concessionária SPVias resgatou um lobo-guará na Rodovia Antônio Romano Schincariol (SP-127), no km 173, em Itapetininga.

O animal foi encaminhado com vida ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), da Unesp, para avaliação e tratamento, com a possibilidade de reintegração à natureza após a recuperação.

O que fazer ao encontrar um animal na rodovia?

A presença de animais nas pistas exige atenção redobrada dos motoristas. Uma reação brusca pode provocar colisões, saídas de pista e acidentes envolvendo outros veículos.

A ARTESP orienta os condutores a adotarem medidas preventivas:

Reduza a velocidade gradualmente, sem freadas repentinas.

Mantenha distância segura dos veículos à frente e atrás.

Evite mudanças bruscas de faixa ou desvios arriscados.

Não buzine nem acelere em direção ao animal, pois isso pode assustá-lo.

Evite utilizar farol alto para tentar afastar o animal da pista.

Comunique a concessionária responsável caso encontre um animal em situação de risco.

As rodovias concedidas contam com equipes de inspeção, câmeras de monitoramento e atendimento operacional para identificar ocorrências e adotar medidas de segurança.

Proteção da fauna também significa segurança para motoristas

A implantação das passagens de fauna integra as medidas ambientais exigidas das concessionárias, juntamente com cercas de direcionamento, sinalização de advertência, campanhas educativas e monitoramento dos animais.

Essas iniciativas buscam reduzir os impactos provocados pelas rodovias sobre os habitats naturais e diminuir os riscos de acidentes.

A ARTESP acompanha o cumprimento das obrigações previstas nos contratos, enquanto as medidas ambientais são submetidas à análise da Cetesb.

A proteção da fauna e a segurança viária estão diretamente relacionadas: ao permitir que os animais atravessem as rodovias por locais apropriados, as estruturas ajudam a preservar espécies e a proteger a vida de quem utiliza as estradas paulistas.

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